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Chocolate com pimenta

14.01.06

por Cinara Diniz

Jamie Cullum - Catching Tales

(Universal, 2005)

Top 3: “Photograph”, “London Skies” e “Fascinating Rhythm”.

Princípio Ativo:
Bata o pé e estale os dedos

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Depois de publicarmos com exclusividade a receita do “Pato ao molho de maracujá”, mais conhecido como James Blunt, chegou o momento de outro texto culinário. Um prato outra vez britânico, mas que rende mais e é dezessete vezes melhor para o seu paladar.

Catching Tales é a entrada, prato principal, sobremesa e cafezinho. O nome do chef, voilà, é o do britânico Jamie Cullum. Não temam azia, o jovem é bom no que faz. Talento nas mãos, seja ao piano ou escrevendo suas canções, Jamie reinventa pratos já conhecidos e introduz novidades jazzísticas fresquinhas e saborosas.

Em seus vinte-e-alguns anos, Cullum sabe fazer um shake do bom e velho jazz com pop e traz no menu baladas suingadas e letras gostosas. “Nothing I do” e a nostálgica “Photograph” servem de exemplo. “I’m glad there is you” tem cara de piano-bar e “Fascinating Rhythm” cheira a Harry Connick Jr. Interessante, “My yard” aparece de surpresa, meio diferente do restante do disco. É o licor de jabuticaba durante o banquete francês, mas nada que mude o andamento das coisas.

Como um vinho encorpado, porém aveludado, a voz de Cullum pode ser apreciada sem moderação. Como na bonita “7 days to change your life” , que evoca um conhaque a beira da lareira. Já “Catch the sun” pede um capuccino expresso, forte. “21st century kid” vem fácil como uma ociosa manhã de domingo, mesmo trazendo dilemas de um garoto do século 21. Ao todo, são 15 faixas à serem degustadas lenta e prazerosamente pelos amantes da boa música-culinária. Cantar no banheiro é coisa do passado: a moda agora é soltar a voz na cozinha.

Jamie Cullum parece ser o novo sabor do jazz e a prova disto foi sua nominação ao Grammy em 2004 pelo álbum Twentysomething. Talvez Catching Tales seja o caminho para o hall dos mestres-cuca, considerando seu sucesso perante crítica e público. Se o disco tem sido reverenciado, Jamie no palco dá adeus ao avental e ferve no piano – às vezes, literalmente SOBRE o piano. Cullum tem gosto de quero mais. Com 10% inclusos.

Cullum: mistura jazz com pop e não provoca azia

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