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Dos males, o melhor

20.01.06

por Braulio Lorentz

The Darkness - One Way Ticket to Hell... And Back

(Warner, 2005)

Top 3: “One Way Ticket”, “Girlfriend” e “Dinner Lady Arms”.

Princípio Ativo:
Afetação

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Em 2003, de carona no hit “I Believe in a thing called loved”, os ingleses arrancaram gargalhadas do público com a estréia Permission To Land. Músicas com riffs manjados e afetação vocal continuam no repertório do Darkness.

Se a brasileira Massacration é a auto-intitulada “melhor banda de metal do mundo”, The Darkness pode ser considerada a melhor banda de metal farofa do mundo. Ambas as piadas são bem contadas, só que a piada gringa é mais levada a sério e as pesquisas comprovam. Em votação dos leitores da revista inglesa Kerrang sobre 2005, o Darkness faturou nas categorias “Pior Disco”, “Pior Banda” e o vocalista Justin Hawkins foi eleito o “Mais Mal Vestido”.

As muito pegajosas canções de One Way Ticket to Hell And Back acentuam os ecos de Queen. A balada de final de disco, “Blind Man”, tem ecos também na concepção literal da palavra, como os que enfeitavam a voz de Freddie Mercury. Mas isso não é por acaso. Este segundo disco do Darkness foi gravado no estúdio Rockfield, no País de Gales, onde a famosa “Bohemian Rhapsody” nasceu. Outros destaques com pinceladas de Queen são “English Country Garden” e “Dinner Lady Arms”, que me deixaram na dúvida se o correto era rir ou chorar.

“One Way Ticket”, a primeira faixa, tem riff-replay de “I Believe in a thing called loved”, que já era cópia de um tanto de outras coisas, de AC/DC a Bon Jovi. A cópia rende declarações inesquecíveis de Hawkins. “Somos o elo perdido entre um AC/DC gay e um Queen heterossexual”, afirmou. As guitarras reforçam a ligação com o exagero do hard rock dos anos 70 e 80. A letra de “One Way Ticket” vai pelo mesmo caminho.

No começo do disco, o ouvinte é surpreendido por uma série de fungadas de nariz. O inferno presente no nome do CD e no refrão de “One Way Ticket” é o inferno da cocaína, narrado em detalhes: “A primeira carreira me abateu como um chute na cara/ Eu pensei ‘Vou cheirar mais uma por via das dúvidas’/ Depois o que eu me lembro é que tive um ataque do coração/ Comprei um ticket pro inferno... mas estou de volta”. A letra também alerta sobre o perigo de “esconder vícios” e deixa as metáforas de lado: “Agora meu septo está todo detonado”. Mas não só de depoimentos-canção vive o CD. A paixão por garotas não fica de fora e rende pérolas como “Girlfriend”, “Is it just me?” e “Hazel Eyes”.

Mesmo com temáticas e riffs que lembram o bem-sucedido disco de estréia, o Darkness vai mal das pernas. One Way Ticket to Hell And Back não chegou no Top 10 britânico e no Top 50 dos EUA. Somam-se a isso os ingressos encalhados de shows da nova turnê e o mau desempenho do single “One Way Ticket”. Não poderia ser pior, o que pra eles deve ser muito bom.

O novo visual do Darkness

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