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Rock muito bonzinho

16.02.06

por Braulio Lorentz

Belle and Sebastian - The Life Pursuit

(Matador - Importado, 2006)

Top 3: “We are the sleepyheads”, “The Blues are still Blue” e “Funny Little Frog”.

Princípio Ativo:
Inconstância

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Inconstância é a palavra de ordem para uma das bandas mais escocesas da Escócia. Não é a toa que este é o princípio ativo do sétimo disco do Belle and Sebastian. The Life Pursuit é, de fato, uma inconstante trilha sonora. Ela é perfeita para se matar ou para morrer de dançar.

O CD agrada do netinho que curte sapinhos loucos ou engraçadinhos (“Funny Little Frog”) à avó fã de Stevie Wonder (“Song for the sunshine”), passando pelo pai amante do rock gostosinho de fácil digestão (“Dress up in you”) e pelo irmão adolescente louco pelo rock dançante tipo assim Strokes (“We are the sleepyheads”). O roqueirinho indie da mesma forma não vai conseguir segurar o sorriso de canto de boca que prevalece em todo o álbum. Porém, o sorriso escancara durante “The blues are still blue”, por causa do fim de refrão com as frases: “The black will be white/ And the white will be black/ But the blues are still blue”. Elas perderiam o sentido caso não fossem citadas em inglês.

O disco agrada, mas desagrada também:

Bem-me-quer
“Este é o disco mais roqueiro-psicodélico do Belle and Sebastian”, disse meu amigo mais roqueiro-psicodélico, ao som de “White collar boy”. A frase merece um complemento: É o disco mais roqueiro-psicodélico para o padrão Belle and Sebastian. Dessa forma, aparecem canções como “Another sunny day” ou “For the price of a cup of tea”, que poderiam estar em álbuns anteriores da banda.

Malmequer
“Este é o disco mais chatinho do Belle and Sebastian”, comentou uma amiga. Os fãs de Belle and Sebastian costumam torcer o nariz em sincronia com as novas canções da banda. Foi assim com o mais pop petardo do B&S, Dear Castrophe Waitress, de 2003. E é assim com este psicodélico-bunda mole The Life Pursuit. O septeto escocês desagrada, é verdade. Só que a essência da banda está impregnada no som.

Bem-me-quer
“Este é um dos melhores discos de 2006”, digo eu. Como estamos ainda em fevereiro, a frase não tem tanto efeito assim. Ainda mais se compararmos com a meia boquice do Arctic Monkeys, que bateu recorde de vendas e lançou um dos discos apontados como melhor lançamento de 2006, desde o final de 2005.

Desculpe, mas a flor deste texto só tem três pétalas.

Pro bem ou pro mal, este CD é aquilo ali que o Belle and Sebastian sabe fazer como ninguém: swing de branco, letras com historinhas e capacidade de ser uma baita trilha sonora familiar. Enfim, fofice made in Scotland.

A patota vestindo listras e cercada por tons de cinza

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