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Essas mulheres e suas histórias...

20.02.06

por Daniel Oliveira

Terra fria

(North Country, EUA, 2005)

Dir.: Niki Caro
Elenco: Charlize Theron, Frances Mcdormand, Sissy Spacek, Michelle Monaghan, Sean Bean, Woody Harrelson

Princípio Ativo:
Charlize Theron

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Charlize Theron, como Marylin Monroe, nunca foi santa. Já fez bobagens como “Jogo duro” e “Uma saída de mestre” e, apesar do reconhecimento por “Monster”, rala duro para não lembrarem exclusivamente de sua beleza. Um escorregão em “Aeon Flux” e a imprensa já anunciava a maldição do Oscar (Halle Berry o diga). Interessante: raramente associam o Oscar de atuação masculina a parâmetros de beleza. Sua personagem, Josey Aimes, também cometeu seus erros. Mas, no final das contas, está tentando viver, ao batalhar pelo direito de trabalhar em um ramo hostil para as mulheres. Charlize e Josey descobrem que beleza nem sempre ajuda e a vida nem sempre é fácil.

Niki Caro é uma diretora. Note o “a” no final da frase anterior e conte quantas diretoras, mulheres, você conhece. Pois é. Depois de “Encantadora de baleias”, a neozelandesa recebe uma faca de dois gumes. A história da primeira ação coletiva contra assédio sexual nos EUA, retratada em “Terra fria”, tem aspectos revoltantes que não precisam de muito para mexer com o público. Por outro lado, o drama de tribunal é um clichê que já cansou e a trama tem um cheiro nauseante de Oscar. Com um roteiro fraco, Caro simplifica o caso um pouco demais (o processo, mostrado em poucas sessões, durou 10 anos, até 1998), mas constrói um visual gelado e duro, insensível, que reflete o ambiente psicologicamente hostil da mina.

Frances Mcdormand teve seu grande papel em “Fargo”. Depois foi a mãe super-protetora em “Quase famosos”. Agora, chegou numa faixa etária em que bons papéis em Hollywood são mais raros que comédias iranianas. Situação parecida com a de Glory, veterana que dedicou sua vida à mina. Membro do sindicato, ela se acomodou com as péssimas condições de trabalho e a falta de atenção dos homens e da diretoria para seus problemas de saúde. Na revolta de Josey, ela vê que as coisas podem ser diferentes. Na luta de Theron por bons papéis femininos, Mcdormand enxerga vida para atrizes depois do Oscar. Talvez.

Sissy Spacek não precisa de muito tempo para mostrar que é boa. Assim como Alice, a mãe de Josey. Ao discutir com o marido, ela afirma que a filha “ só teve um filho, não roubou um banco”. Depois, abandona o esposo, refém do machismo local, e se torna a primeira pessoa a efetivamente apoiar a protagonista. É uma virada fundamental para o filme e Spacek é convincente até a medula. Nela, Theron vê que boas atrizes são talentosas, mesmo sem grandes protagonistas.

“Terra fria” é como essas mulheres: não é perfeito, mas você não consegue não se deixar envolver por ele.

Charlize: Suja, não. Talentosa.

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