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Medo? Só de filme ruim.

05.04.05

por Daniel Oliveira

O chamado 2

(The ring 2, EUA, 2005)

Dir.: Hideo Nakata
Elenco: Naomi Watts , David Dorfman, Simon Barker, Sissy Spacek.

Princípio Ativo:
A atuação de Naomi Watts

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No fim de “O Chamado”, Rachel ( Naomi Watts ) é obrigada a fazer uma cópia da tal fita amaldiçoada para salvar seu filho, Aidan (David Dorfman). O filme, dirigido por Gore Verbinski (Piratas do Caribe), rendeu mais de 100 milhões de dólares. Naomi Watts, de quebra, foi indicada ao Oscar por sua atuação em “21 gramas”, tornando-se uma das queridinhas de Hollywood.

Agora, a pergunta: algum dos fatores levantados acima é um motivo cinematográfico que justifique uma continuação? Já que não posso esperar sua resposta, eu mesmo respondo, leitor: não.

Ainda assim, “O Chamado 2” tentou não ser um caça-níquel qualquer. O diretor escolhido foi Hideo Nakata – responsável pelos dois primeiros filmes do original japonês, “Ringu”. E uma das melhores coisas do primeiro filme, a bela e talentosa Naomi Watts, foi mantida. O que estava faltando? Pense bem, leitor: um bom diretor, o orçamento necessário, uma boa atriz...

Acertou quem disse um bom roteiro! Isso feito e “O Chamado 2” seria, muito provavelmente, um divertimento tão agradável quanto o primeiro. Nem se precisava sofrer muito por uma boa história: o “Ringu 2” japonês conta com uma trama tão intrigante quanto o primeiro e muitos afirmam que ele mantém, ou até melhora, o padrão do original. Mas por que não avacalhar? Os produtores norte-americanos conhecem a “fórmula mágica” de que o público gosta e podem fazer um roteiro legal sem aqueles japas baixinhos, ora bolas!

Funcionou? Não. “O Chamado 2” conta a saga de Rachel e Aidan, que se mudam para Astor, uma cidade do interior, após os eventos do primeiro filme. É claro que a malvada Samara não os deixa em paz. O longa de Nakata começa como um terror adolescente: sustos encomendados para deixar o espectador acordado, na falta de uma história. Na segunda metade, ao explicar o retorno de Samara, o roteiro vira um dramalhão de mães e filhos, sustentado pela boa interpretação de Watts.

A obra de Nakata se equilibra entre falhas gritantes – a cena absurda em que Rachel descobre uma chave para entrar em uma casa; a seqüência inicial dos adolescentes, forçando uma identificação com o público-alvo, a péssima atuação de David Dorfman – e algumas gratas surpresas – a bela fotografia azulada, que associa a presença da água à ameaça de Samara; a participação de Sissy Spacek (Carrie, a estranha); e o bom trabalho de câmera do diretor. Infelizmente, ao final, os problemas pesam bem mais.

É impossível negar o sucesso de público desse tipo de filme, vide “O grito” e a boa bilheteria de “O Chamado 2” desde sua estréia. Acostumado com o terror de sustos e barulhos, ainda carecemos de um longa com o bom suspense de ambientação, que causa verdadeiro frio na espinha. Um filme desse nos dias de hoje: isso sim seria um susto.

Samara, a verdadeira estrela do filme

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