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Isto é uma obra de ficção

04.03.06

por Braulio Lorentz

Ashlee Simpson - I am me

(Geffen - Importado, 2005)

Top 3: “I am me”, “Boyfriend” e “In Another Life”.

Princípio Ativo:
Eu, mim e eu mesma

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Querido diário,

Estava confusa na minha estréia, agora estou mais certa das minhas ações e canções. Minhas caras e bocas também estão super calibradas e as letras continuam na mesma. São pequenas derivações do tripé “autobiografia, flertes e narrações em primeira pessoa”. Nada muito diferente do que eu escrevo em você. Acho que é por isso que a minha irmã tem inveja de mim.

“Eu sou eu e não mudarei por ninguém” é o que canto na faixa-título. É um jeito de me apresentar pra quem não comprou o primeiro disco. Mas o que mudou é a minha sagacidade pra cantar. Embora meu cabelo continue com a troca de corte e de cor em cada estação do ano, minha voz está com mais personalidade. A esquizofrenia vocal que me fazia dormir Avril e acordar Pink não está mais por perto. Ufa!

Porém, o papo sobre autenticidade não tem apoio no meu novo visual. Na capa do disco, estou loira e com decotão. Pra completar, faço um biquinho sexy que o fotógrafo mandou fazer. Nada a ver com o primeiro álbum! Eu era morena com biquinho de raiva e parecia bater o pé em cada foto. Desculpe, mas a Ashlee emburrada não está mais nas páginas do diário. Estou “em outra vida”, como canto em “In Another Life”, a melhor do CD. Os dias estão ensolarados.

Mesmo com o sol, achei uma brecha pra usar casaco de flanela xadrez. Existe uma Ashlee grunge dentro de mim e é ela que se esgoela em “I am me”. Em “Dancing Alone” é a vez da Ashlee Anos 80. É meu recado pra fazer todo mundo dançar, sozinho ou não.

“Burning Up” é picante e eu sussuro: “Você me faz sentir/ Como fogo/ Isso é amor ou só desejo?”, antes do refrão com pequenos gemidos. Tem gente que diz que eu canto como se tivesse uma batata na boca. Mas fazer o quê? Minha voz sexy é assim. Se eu vivesse em uma história em quadrinhos, acho que falaria “bãe” em vez de mãe, como os personagens gripados da Turma da Mônica.

A balada “Eyes Wide Open” mostra que todas nós da nova geração de popstars, de Pussycat Dolls a Jennifer Lopez passando por Ivete, somos fãs de Madonna. Por falar em Madonna, há quem diga que sou uma versão patricinha comportada da Gwen Stefani. Hm... Confesso que meu sucesso “L.O.V.E.” é meio que uma versão chuchu de “Hollaback Girl”.

Mas a verdade é que eu sou bem mais esperta que a Gwen. Minha outra música de trabalho, “Boyfriend”, por exemplo, tem duas versões. Na feita pro disco eu canto: “All that shit about me”. Na feita pras rádios: “All that stuff about me”. Legal, né? Eu também sou um pouco ousada, às vezes. Estou feliz, mesmo com as comparações e é bom saber que você sempre estará na minha cabeceira.

Morena ontem, loira hoje, mas sempre eu mesma.

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