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Churrasco dos amigos

06.03.06

por Rodrigo Ortega

Ana & Jorge

(SonyBmg, 2005)

Top 3: "Carolina", "Beatriz", "Garganta"

Princípio Ativo:
Desbunde

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É verão no Rio de Janeiro! No Brasil todo, aliás. Clima bom para calçar aquele chinelão e agilizar o churrasco com os amigos. E no som? Funk e axé já tiveram sua cota no carnaval. U2 ou Stones seriam a deixa para seu primo chato falar horas sobre os shows. Strokes e Franz Ferdinand estão bombando, mas, sinceramente, é um churrasco. Não, Legião não. Eis que aparecem Seu Jorge e Ana Carolina com violão e pandeiro a tiracolo.

Não precisava de tanta farofa – leia-se “É isso aí”, versão de "Blower's Daughter", da trilha de Closer -, mas se Seu Jorge toca até David Bowie com aquela batida de violão típica de churrasco, pode dizer sem medo: chega aí. O clima Emerson Nogueira em Ana & Jorge é reforçado pelo fato de as 16 músicas ao vivo serem levadas em sua maioria apenas por violão e voz.

Os primeiros acordes de “São Gonça”, da antiga banda de Seu Jorge, Farofa Carioca, levantam qualquer dedinho engordurado de lingüiça. “Carolina” é o clímax do disco, com interpretação bêbada de Jorge e entrada triunfal de Ana Carolina e seu pandeiro. Em “Comparsas” eles trocam elogios (“Ana bacana Carolina / Salve Jorge”), em um clima de amizade tradicional depois da terceira caipirinha.

Pena que o discurso social de Seu Jorge não desça nem na capa da revista Bravo!, muito menos com cerveja e asinha. Os aplausos para o “puta que pariu” gritado por ele em “Chatterton” ficariam melhor nas mãos do público do Charlie Brown Jr. Ana Carolina também faz seu discurso, mas com a vantagem de cantar uma letra de Tom Zé, “Brasil Corrupção”.

Ana, que falou recentemente sobre sua bissexualidade na Veja, está tão à vontade quanto Jorge. “Se eu tô te dando linha / é pra comer você”, muda a letra do seu hit “Garganta”. O contraponto para o desbunde é “Beatriz”, de Chico Buarque e Edu Lobo, a hora dos isqueirinhos no show ou da picanha no churrasco.

Já com discos no alto das paradas (Perfil, de Ana Carolina e Cru, de Seu Jorge), o clima é de despretensão, com resultados provavelmente mais divertidos do que dos respectivos álbuns. Na última faixa, “O beat da beata” eles jogam a farofa, o vinagrete e a noção no ventilador. Ao som da bateria eletrônica mais safada do mundo, Ana Carolina dá gritos que lembram Tina Turner e eles conversam em uma língua imaginária. Ou seja, é hora de desligar o som e anunciar aos convidados: “a partir de agora cada um fala o que quiser”.

A televisão destrói a gente e Seu Jorge destrói "Blower's daughter"

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