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Um filme para chamar de meu

14.03.06

por Daniel Oliveira

Uma mulher contra Hitler

(Sophie Scholl – Die letzten Tage, Alemanha, 2005)

Dir.: Marc Rothemund
Elenco: Julia Jentsch, Fabian Hinrichs, Gerald Alexander Held, Johanna Gastdorf, Florian Stetter

Princípio Ativo:
Julia Jentsch

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O Oscar de melhor atriz neste ano foi uma marmelada safada. Não o deram a Charlize Theron porque “Terra fria” não era lá essas coisas. Judi Dench é a Laura Cardoso inglesa: vencedora em caráter hors concours – ela e Meryl Streep já saem do estúdio com uma indicação garantida. A indicação de Keira Knightley era um daqueles “Continue brilhando!” das professoras de primário para seus alunos. A personagem de Felicity Huffman em “Transamérica”, que quase ninguém deve ter visto por lá, era polêmica demais para a hipocrisia norte-americana. Sobrou Reese Whiterspoon que, além de não ser tão boa, nem protagonista era.

Nenhuma das cinco arrebata como Julia Jentsch em “Uma mulher contra Hitler”. A atuação da menina de “Edukators” é tão importante, que é difícil perceber qualquer outra coisa em cena, além dela.

A personagem real Sophie Scholl era uma integrante do grupo de resistência à Hitler Rosa Branca, presa com seu irmão durante uma distribuição de panfletos. O longa retrata o seu martírio a partir daí, dividida entre poupar os companheiros de resistência e a aflição das possíveis conseqüências da prisão para sua família. Sim, o filme é um melodrama; não, não é nada inovador; e sim, ele vai te fazer chorar.

O longa é carregado pelo carisma e talento de Jentsch, que fazem o diretor Marc Rothemund não ter pudor de colocar seu rosto em quase todos os enquadramentos. Sophie olha para o sol, encara seu investigador, reza, segura o choro – e convence. O título nacional “Uma mulher contra Hitler” pode individualizar a luta do Rosa branca, mas só faz sentido ao se assistir ao filme, que opta por seguir a protagonista, ignorando seu irmão, também preso.

A primeira metade, em que ela é interrogada, deixa o espectador embasbacado pela força da atriz. Já viu alemão falando? Normalmente eles parecem muito maus, e quando xingam, ficam mais bravos ainda. Sophie responde baixo e solenemente, enquanto o policial grita sem parar – impressiona, em especial, o interrogatório em que ele lhe serve café, e ela o destrói por dentro. A cena no banheiro em que a protagonista pára de bancar a “estudante comportada”, simplesmente tirando o prendedor do cabelo, é melhor que qualquer outra das indicadas ao Oscar.

“Uma mulher contra Hitler” exala a jovem paixão política de “Edukators”, sem o frescor deste último. Perde pontos somente na trilha, exagerada em alguns momentos, e numa coincidência infeliz. Usando o jazz americano como uma referência de liberdade para Sophie, ele faz lembrar que é essa pátria hoje que comete desmandos contra o valor que ela tanto prezava.

Jentsch: “Podem fazer o que quiser, o filme é meu!”

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