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Identidades

16.03.06

por Rodrigo Campanella

Cry Wolf: O Jogo da Mentira

(Cry_wolf, EUA/2005)

Dir.: Jeff Wadlow
Elenco: Julian Morris, Lindy Booth, Jon Bon Jovi, Gary Cole

Princípio Ativo:
upgrade para o colegial

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Foi um alívio. A coisa já havia chegado a tal ponto que qualquer mudança seria o bastante. Pânico(s), verões passados, massacres com motoserra e casas de cera só engrossavam o filão do esquartejador profissional de universitários bem-arrumados, e esgotavam a paciência. Deixe seu medo lá fora e pegue uma pipoca , era a mensagem comum. Daí que ir assistir um slasher movie e encontrar um suspense razoavelmente bem tramado foi um afago nos dez neurônios ainda ativos.

Alívio, mas nem tanto. “Cry Wolf” é o exemplo mais bem-acabado do céu e inferno que respondem pelo nome de Final Cut. Programa de edição de vídeo querido de dez entre dez faculdades de comunicação e produtoras de vídeo, o Final Cut dá a chance de editar um longa-metragem dentro de casa. Esse é o lado bom. O outro lado é que a facilidade de consertar tudo nos softwares de edição faz esquecer coisas ‘secundárias’, como direção de atores.

Um alívio estranho, digamos. Cry Wolf não foi editado em Final Cut até onde se sabe, mas poderia. A história do novo aluno da escola, Owen (Morris), que junto da garota malvada e os amigos dela cria o hoax de que há um assassino serial na escola de riquinhos lembra muitas vezes um filme amador feito em vídeo entre amigos. Atuações mambembes e diálogos lugar-comum estão lá, bem como o galã-esquecido como convidado especial. Só que tudo isso vem caramelizado em película e enquadramentos ‘adultos’, tirando boa parte do cheiro de ‘filme universitário’.

Na verdade, o alívio é outro. E é uma pena que tanto do carão de universitário tenha se perdido no caminho, pois é isso que faz o filme ser interessante. Especialmente quando o suposto assassino de mentira começa a correr atrás dos incautos (?) colegiais. O que parece ser verdade é sucessivamente desarmado e o grupo de amigos vai mostrando seu veneno. Mas aí a fórmula desanda.

E o alívio vai embora. Já passou da hora de alguém reclamar que filmes com luz, cor e sangue parecendo pintura a óleo não dão medo em ninguém, o que é o caso aqui. Sem pavor ou sustos, a melhor diversão é observar aqueles amigos predadores-natos se esfaqueando pelas costas. Mas, seja pelos atores que tem ou pela inexperiência atrás das câmeras, a história opta por privilegiar a viradinha no final que reduz o filme a uma simples ‘loteria do quem matou’.

Enfim, alunos do colegial ganham seu próprio assassino serial embalado pelo medo da falta de identidade entre messengers e emails. Se eu tivesse 16 anos, teria adorado. Hoje, apostaria numa versão universitária: tosca, mas firme.

“Agora eu vou só marcar o lugar, depois eu arranco seu fígado direitinho viu?”

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