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Un passito para atrás

12.02.05

por Rodrigo Ortega

Queens of the Stone Age - Lullabies to Paralyze

(Universal, 2005)

Top 3: “Little Sister”, “In My Head” e “Long Slow Goodbye”

Princípio Ativo:
Nicotina, valium, vicodin, marijuana, extasy, álcool, etc

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Lembro de um episódio do seriado That 70’s Show em que os exigentes pais de Eric Forman elogiam o espertão Steven Hyde por ter tirado C em uma prova, e ao mesmo tempo xingam seu filho por ter tirado um B. Para o nerd Eric, nota alta não é mais que obrigação.

O Queens of the Stone Age também sempre esteve acima da média, principalmente com o disco Songs for the Deaf, de 2003, com o ex-Nirvana Dave Grohl nas baquetas e hits como “No One Knows” e “Go With the Flow”. Três anos depois, Josh Homme, mais novo colega de Robert Smith e Humberto Gessinger na profissão de Homem-Banda, lança Lullabies to Paralyze, quarto disco do grupo e primeiro sem o baixista Nick “pelado-no Rock-in-Rio” Oliveri. O álbum alterna ótimos refrões, prontos pra invadir as rádios rock do mundo, com jam sessions entediantes e momentos menos inspirados.

“Little Sister” é desde já um dos hits mais bacanas de 2005, com melodia intoxicante e riff hipnótico típicos do Queens. Josh Homme conta desta vez com o baterista Joey Castillo, o guitarrista Troy Van Leeuwen (ex-A Perfect Circle) e o multi-instrumentista Alain Johannes. O ex-Screaming Trees Mark Lanegan participa menos do que nos discos anteriores.

“Tangled Up In Plaid” lembra a fase mais chapada da banda, no primeiro disco, e “In my head” mostra que a capacidade de Homme de fazer melodias ganchudas está cada vez mais apurada. O pé no freio funciona nas baladas classudas e bonitas “Long Slow Goodbye” e “I Never Came”.

A ausência de Oliveri é sentida já na segunda faixa, “Medication”. Demitido da banda pelo abuso de drogas e maluquices, justamente por isso faz falta nos momentos mais porrada. A boa “Everybody Knows That You Are Insane” soa como um recado para ele: “Então você está perdido / Todo mundo sabe que você é maluco”.

Já “Someone’s in The Wolf” e “The Blood is Love”, com mais de seis minutos de solos e trechos desinteressantes, são uma tentação para apertar aquele botãozinho que passa de faixa, ou largar o controle e tirar uma boa soneca. Em “You Got A Killer Scene There, Man...”, Homme esconde as vozes de Shirley Manson, do Garbage, e Brody Dalle, do Distillers (dizem que elas participam da faixa, mas eu sinceramente não consegui ouvi-las) para cantar sozinho um semi-blues meio mala.

Lullabies to Paralyze é um disco bacana, mas decepcionante para uma banda tão foda. Josh Homme pode reclamar e fazer cara feia, mas vai ouvir o mesmo sermão que Eric Forman: “Meu filho, a gente esperava muito mais de você...”

Leeuwen, Homme, Castillo

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