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Os altos e baixos de um volume

12.05.06

por Rafael Losso

Pearl Jam - Pearl Jam

(SonyBMG, 2006)

Top 3: “Inside Job”, “Marker in The Sand” e “World Wide Suicide”.

Princípio Ativo:
A essência

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Lá vou eu mais uma vez falar de Pearl Jam. Parece que nos últimos quinze anos eu só falo deles. Também, não é exagero dizer que a banda mudou minha vida. Se não existisse o clipe de “Jeremy”, muito provavelmente meus parâmetros de visão do mundo seriam outros.

Sim, sou “paga-pau” de Pearl Jam, como as pessoas que não admiram rotulam. Por isso essas últimas semanas foram de volume muito alto. Afinal, acaba de sair não só mais um disco da banda, como talvez o definitivo. Pelo menos é o que inicialmente você é levado a acreditar quando olha a absurda capa de Pearl Jam.

O que faz uma banda lançar um disco auto-intitulado depois de tanto tempo na estrada, tantas músicas, tanta história? Uma banda que já viveu quase todos os clichês do rock (surgiu em meio ao hype do grunge, chegou ao topo das paradas, ironizou o Vma, abusou do álcool) e criou alguns outros no caminho (brigou com o mainstream estabelecido, lançou centenas de discos ao vivo, insistiu no vinil)?

A resposta pode não ser tão simples quanto a pergunta. Aliás, entender uma banda como o Pearl Jam quase nunca é. Quando a banda falou sobre esse disco na entrevista que foi ao ar no Jornal da MTV, mencionou a influência de ficar olhando para a água, da responsabilidade do rock sobre o material utilizado para a fabricação e lançamento de tudo o que já fez, e da situação política lamentável de hoje. Pensamentos soltos que inspiram, mas que não explicam muita coisa.

E é melhor assim. Quem ouve uma banda sabe que lógica e sentido não têm absolutamente nada a ver com colocar o volume no máximo. Não precisa explicar como o Pearl Jam encontrou uma forma de simplesmente “ser”. Há uma essência imediatamente reconhecível. Amadurecimento? Nem tanto.

Para que serve o tão buscado amadurecimento senão para tirar a irresponsabilidade que tão fundamentalmente criou o rock n’ roll e colocar no lugar uma coisa sem alma que facilmente responda às necessidades do consumidor?

Chega de tanta complicação. Coloca o abacate na capa e deixa os críticos da Rolling Stone e os VJs maletas da MTV criarem suas teorias sobre quem e o quê. Melhor assim. Com tanta gente esperta secando como sanguessugas o passado do rock em nome de uma reciclagem histérica e da fantasia chamada nostalgia pelo que não viveu, nada como o simples: o rock e pronto.

Isso foi o que o disco Pearl Jam me lembrou. De que o próximo passo é, antes de tudo, seu. Que todo o resto acontece de uma forma tão inevitável quando necessário. Que você não precisa ir ao Dave Letterman, mas se você for a sua essência não vai se perder. O Pearl Jam passou por tudo para chegar até aqui e lançar Pearl Jam. E continuar mudando a vida das pessoas. Chega de volume baixo.

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