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Saborosa e convincente

30.05.06

por Luiz Paulo Mairink

Mombojó - Homem-Espuma

(Trama, 2006)

Top 3: "Saborosa", "Swinga", "Desencanto".

Princípio Ativo:
Efervescência

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O Mombojó estreou em 2004 com Nadadenovo, um disco gravado e mixado no Recife, divulgado na internet e distribuído na revista Outracoisa (projeto do Lobão), e atraiu atenções da crítica e do público antenado na música independente brasileira. De contrato assinado com a Trama, o septeto continua derramando novas propostas musicais, relendo conceitos antigos, experimentando e aprovando novas texturas.

Homem-Espuma, gravado em São Paulo, produzido por Daniel Ganjaman e Lúcio Maia (guitarrista da Nação Zumbi) é, de certa forma, desdobramento do primeiro disco, mas não sejamos simplistas. As melodias estão um pouco mais arrastadas, como em “Novo prazer”, o que cria o clima envolvente do segundo álbum. Os riffs assobiáveis e as referências estão todas lá, trabalhadas com mais esmero e muita criatividade. Por isso, numa primeira audição o disco pode soar um pouco estranho. Mas o que deu nesses meninos afinal?

É nítida a maior elaboração nos arranjos, com todos os instrumentos muito bem encaixados. “Realismo convincente”, provável hit, abre a melhor seqüência do disco com o peso de um baixo distorcido. “Explicando pra confundir” e “iluminados pra cegar”, eles contam com a participação de Tom Zé e uma letra direta para passar a mensagem.

“Tempo de carne e osso” vem na seqüência, com arranjo minimalista e a bela voz da paulistana Céu. A balada se contorce, colocando “os sentidos a funcionar”, num final cortante. “Swinga” apresenta o que a Mombojó tem de melhor, com um acordar contestador e um final divertido e experimental que chega a lembrar Os Mutantes. A faixa 13, “Saborosa”, beira a perfeição, com um riff de guitarra que fica na cabeça e letra simples. Dá vontade de gritar junto “êêêêê!!!!”.

Os metais são explorados na medida certa, como se pré-existissem nas faixas. Além disso, a banda não tem medo de ousar nos detalhes: barulhinhos de vídeo-game, batidas funk, viradas de ritmo e mistura de influências que vão da jovem-guarda (os músicos do Mombojó integram a banda Del-Rey, projeto com o vocalista China para tocar músicas do rei Roberto; e gravaram recentemente uma versão de “Ela voltou diferente” num disco de tributo a Odair José) ao rock mais pesado.

O Mombojó abre novas facetas para um público que quer ser instigado, e mais que repetir o belo disco anterior, assume a responsabilidade sem deixar de se divertir e desponta para algo ousado com muita naturalidade.

Mombojó com camisas mombojós de botões e Felipe meio excluído da turma

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