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Renascendo do vermelho

25.05.06

por Daniel Oliveira

X Men: O Confronto final

(X Men: The last stand, EUA, 2006)

Dir.: Brett Ratner
Elenco: Hugh Jackman, Halle Berry, Ian McKellen, Famke Janssen, Anna Paquin, Ellen Paige

Princípio Ativo:
Poder

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Era uma vez o azul sóbrio, estiloso e contido de Bryan Singer. O vermelho do poder, da guerra e das emoções fortes chega com tudo pelas mãos do temido diretor Brett Ratner. E para ficar bem claro: estou falando da cine-saga dos X Men, e não de tendências da moda.

Neste terceiro capítulo, uma cura é descoberta para o gene X, detonando uma crise ética entre os mutantes. Enquanto isso, os X Men lidam com o ressurgimento de Jean Grey. Afogada no final do segundo filme, ela volta dominada pela personalidade da Fênix que, ao mesmo tempo em que eleva seus poderes telecinéticos ao topo, não consegue controlá-los nem discernir entre o bem e o mal.

“O confronto final” é assim: rápido, direto e objetivo. Ratner não perde tempo com diálogos explicativos. Quer aulinha? Assista aos primeiros filmes ou leia os quadrinhos. O roteiro, extremamente enxuto e bem amarrado, cuida de desenvolver personagens, emocionar o espectador e distribuir as cenas de ação típicas de um summer movie em menos de duas horas. Poucas cenas, inclusive as de ação, são gratuitas – a única exceção é o “transporte” de uma ponte feito por Magneto no terceiro ato, que quebra o ritmo do filme, soando simples demonstração de CGI.

Além disso, os roteiristas Simon Kinberg e Zak Penn abraçam uma característica fundamental dos quadrinhos mutantes: a morte dos personagens não representa o fim da história, mas o início de novos arcos, com novos heróis. E se Ratner não é um autor, tem seus bons momentos. Quando o Professor Xavier e Magneto vão confrontar a Fênix na casa de Jean, o diretor utiliza quase todo o cenário para mostrar como a personagem é um vulcão prestes a explodir – da água borbulhando no filtro às cadeiras tremendo.

Completando, os atores nunca estiveram tão confortáveis em seus papéis, com destaque para Famke Janssen, que demonstra o conflito interno de Jean/Fênix, sem quase nenhuma fala. Até o chilique de Halle Berry por um maior destaque foi bom – sua Tempestade tem falas pertinentes, ao invés das bobagens dos dois primeiros longas.

Acima de tudo, “X Men – O confronto final” é sobre o poder ilimitado e suas (in)conseqüências. A Fênix tem poderes extremos, mas é incontrolável. O governo oferece a cura, mas não cumpre a promessa de deixar ao livre-arbítrio mutante a chance de aceitá-la – inflamando uma guerra violenta e precipitada. Quando o exército de Magneto vai de encontro aos soldados armados com a cura, você só consegue pensar em uma coisa: genocídio cultural. Se a mensagem de Singer era mais atemporal e não-localizada, Ratner não é sutil ao botar Magneto fazendo ameaças na TV a la Osama Bin Laden. Em tempos de guerra, é preciso escolher seu lado.

Cuidado com essa mulher. Ela é tipo uma Desperate housewife telepata categoria 5.

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