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De camarão a favo de mel em 14 canções

02.06.06

por Luciana Dias

Frank Black - honeycomb

(Deckdisc, 2006)

Top 3: “Go find your saint”, “My life in storage” e “Song for joy”.

Princípio Ativo:
Adeus guitarras catárticas, olá alma sulista.

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Embora eu desconfie que o gordinho dispensa apresentações, só para não restarem dúvidas: Frank Black, sob o pseudônimo de Black Francis, foi membro da banda Pixies, um dos cânones da música pop contemporânea e que ecoa em praticamente TODAS bandas de rock espertas que surgiram dos anos 90 pra cá. De modo que, quando em 92 o Pixies acabou, Frank Black poderia ter se APOSENTADO se quisesse. O que o Pixies fez em cinco anos de existência é mais do que a maioria das bandinhas atuais poderiam sonhar em realizar com uma vida de dedicação a música. Mas nem por isso Black ia parar por aí. Foi pra isso que o cara nasceu, pra fazer música e tocar guitarra. Ele ia aposentar e fazer o quê?

Frank Black já lançou muito material inédito, um bocado de coisas dispensáveis e outras muito legais - vide o álbum Teenage Of The Year, junto dos Catholics. Em honeycomb, seu segundo álbum solo (o primeiro foi The Cult of Ray em 96 e já há um terceiro, Fast Man Raider Man, que sai ainda este ano nos EUA), o cara juntou um senhor time de músicos para o acompanharem, e mesmo assim não deu jogo. Resultou num disco morno, e pouco consistente.

A banda que acompanha o sr. Black é composta de seus heróis pessoais, algo como uma velha-guarda de músicos de blues e soul e r&b, que tocam nas chamadas "Memphis Sessions" (Memphis - Tennessee - sul dos EUA - howdee pra vocês). Há que se respeitar uma reuniãozinha dessas. Mas o fato é que a diversão que esses senhores tiveram ao gravar o disco não se compara com a diversão que você vai ter quando escutá-lo. Aliás, você vai até ter que se esforçar pra conseguir passar de uma ou outra canção, como a chatinha balada folk "Violet" ou o constrangedor cover de "Song For The Shrimp".

O problema pra mim é o seguinte: não é um disco de rock. Nem de folk. E só porque tem uma reunião bacana de músicos old-school do Tennessee não o faz um disco de soul, ou de r&b ou country ou bluegrass ou coisa assim. Aí você pensa "hum, que mal tem não se encaixar em nenhum desses rótulos aí?". E eu respondo, mal nenhum. O problema é que ele tenta. Cada hora ele quer ser uma coisa diferente, e acaba transitando meio perdido por todas essas nuances.

É esse caminho mais “de raiz” que o Black curte agora, beeem longe das convulsivas canções do Pixies, e o próximo álbum deve continuar nessa linha. Na última faixa do disco, "Song For Joy", Black canta “Oh listen to me / I'm a desperate boy / I think I better sing for joy / and I guess this has just got to end”. E é bem por aí. Ele tinha que crescer um dia né?

Ãham. Até parece que você ia oferecer comida pra alguém...

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