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Apertem os cintos. A graça sumiu!

04.06.06

por Daniel Oliveira

Todo mundo em pânico 4

(Scary Movie 4, EUA, 2006)

Dir.: David Zucker
Elenco: Anna Faris, Craig Bierko, Regina Hall, Bill Pullman, Charlie Sheen, Carmen Electra, Molly Shannon, Leslie Nielsen

Princípio Ativo:
Piadas repetidas

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Quem disse que juntar as partes ruins de vários filmes em um só é engraçado? Ok, pode-se até argumentar que os irmãos Wayans fizeram isso no primeiro “Todo mundo em pânico” e deu certo.

Eu contra-argumento: o “Todo mundo em pânico” original se construía sobre os exageros, furos e a histeria do terror adolescente. Acontece que esses “aspectos ruins” eram exatamente o que fazia “Pânico”, “Lenda Urbana” e afins tão divertidos. Então, quando alguém teve a idéia de fazer o ruim pelo ruim, o sucesso foi inevitável, já que transformava a comédia enrustida no humor assumido.

Isso não é o que acontece neste “quarto e último capítulo da trilogia” – aliás, uma das várias piadas repetidas, já que Douglas Adams já a havia feito no “Guia do mochileiro das galáxias”. Aqui, o diretor do longa anterior, David Zucker (também da série “Corra que a polícia vem aí”), e seus roteiristas juntam as partes mais chatas e incômodas de vários filmes - “Guerra dos mundos” e “O grito”, principalmente – e as repetem, forçando o riso com piadinhas velhas de “bolas na cara” e ruídos estomacais constrangedores.

A falta de foco e criatividade do roteiro faz com que os clichês jogados se tornem mais irritantes. No longa de Spielberg, a crise familiar já era clichê, não precisava repetir. E nada em “O grito” era bom - nem como bom de tão ruim ele funcionava. O melhor que eles podiam fazer era nos ajudar a esquecê-lo e não repetir suas cenas, interpretações e sustos ruins.

Fora isso, longas como “O segredo de Brokeback mountain”, “Menina de ouro” e “A vila” são copiados de forma deliberadamente gratuita. Quem ainda agüenta piadinha dos dois caubóis gays? Ou rever a cena do banquinho do filme de Clint Eastwood? Ou rir de novo das macaquices de Tom Cruise na Oprah? A bem da verdade, essas duas últimas sátiras, junto com a cena do presidente dos EUA (o sempre engraçado Leslie Nielsen) informado de um ataque ao país durante uma apresentação em uma escola infantil são as que arrancam as maiores risadas.

O problema, no entanto, é que isso já foi ridicularizado antes – seja no Saturday Night Live, em “Fahrenheit 11 de setembro” ou até no “Casseta e Planeta”. “Todo mundo em pânico 4” não acrescenta nada, nada mesmo, de novo a essas piadas. É por isso que eu pensei depois do filme: sitcom de TV a cabo me faz rir bem mais que essas bobagens; e se eu quiser ver humor físico, com tombos, explosões e personagens sendo arremessados o tempo todo, eu vou à locadora e pego um filme do Buster Keaton. Sendo bom ou ruim, escrachado ou sutil, o melhor é sempre ir à fonte.

Até o Tom Cruise original faz isso bem mais engraçado...

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