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Método Skylab de composição

04.06.06

por Braulio Lorentz

Rogério Skylab - Skylab VI

(Independente, 2006)

Top 3: “Amo muito tudo isso”, “Eu e você” e “Eu não tenho eu”.

Princípio Ativo:
Cu!

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“Amo muito tudo isso” é a música do disco Skylab VI que mais chama a atenção em uma primeira orelhada. Nessa canção, está claro o procedimento adotado: pegar um monte de palavras, enfileirar para montar uma frase e depois fazer uma inversão da ordem das mesmas. O slogan do McDonalds acaba virando: “Muito tudo amo isso / Tudo isso amo muito / Muito tudo, tudo muito / Amo isso, isso, isso”. Como o Pílula Pop foi exposto ao método Skylab de composição, resolvemos utilizá-lo:

O mais pervertido cantor que é muito psicopata.

O espancado carioca (que posou de travesti na capa do CD anterior) está em palcos e estúdios desde 92, mas foi a partir de 99 que começou com a série de lançamentos que levam seu sobrenome e um algarismo romano. Antes deste Skylab VI, que tem quase 73 (!) minutos de duração, lançou o Skylab V encartado na Revista OutraCoisa do fim de 2004. Colocou também à venda outros quatro discos com a mesma estética, contendo músicas com letras que têm a mesma escatologia e morbidez que estão no sexto petardo da saga.

O psicopata pervertido é muito mais que cantor!

Além de cantor, compositor e performer, Skylab também é comediante. Muita gente o conhece pelas aparições no programa de Jô Soares, quando canta várias músicas, conta casos e faz todo mundo rir. Neste CD, provoca menos risos, mas ainda os provoca, como nas faixas “Quer tc comigo?” e “Hino Nacional do Skylab”. Nesta última, ele fala 19 vezes a expressão “fiá da puta”. Trata-se de um dos muitos exemplos em que a piada ganha pela insistência.

É cantor pervertido, psicopata, o que mais?

Skylab também é um ser hypado. Se você torcer o nariz pra ele, conviva com a certeza de que outros narizes serão torcidos de volta pra você. Skylab VI fez meu nariz dar uma guinada mais brusca pro lado. Há quatro anos, músicas como “Tudo me faz bem” e “Cadê meu pau?” soariam bem mais inusitadas. A frase “Eu vim mijar e acabei cagando”, da óbvia “Todo mundo mora mal”, não provoca alterações no meu semblante.

Sou mais o Skylab que surpreende o ouvinte. “Eu e você” e “Eu não tenho eu”, essa com depoimento do falecido Clovis Bornay, são as que têm esse algo mais. Um pouco porque a declaração do carnavalesco é muito engraçada e outro pouco porque ouvir Skylab falar cu já deu o que tinha que dar.

Skylab sem roupa de mulher e sem cabeça enfaixada

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