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Sr. e Sra. Vaughniston

28.06.06

por Daniel Oliveira

Separados pelo casamento

(The Break up, EUA, 2006)

Dir.: Peyton Reed
Elenco: Vince Vaughn, Jennifer Aniston, Joey Lauren Adams, Jon Favreau, Cole Hauser, Vincent D’Onofrio, Jason Bateman

Princípio Ativo:
realidade e ficção

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“Separados pelo casamento” passa longe de ser ruim. Ele tem momentos engraçados e a dupla de protagonistas está bem como Brooke (Aniston) e Gary (Vaughn), um casal que se separa depois de uma crise, mas se nega a deixar o apartamento em comum, iniciando uma guerra de nervos (e dos sexos). A pedra no caminho do longa, além da tal guerra já ter sido tema de n filmes, está na mitologia que o cerca.

Para começar, sempre fica a dúvida: será que a química entre Aniston e Vaughn é atuação ou é reflexo do relacionamento iniciado nos bastidores? O ritmo invejável de troca de farpas, em diálogos insanamente rápidos, dominam o filme. Aliás, esse apelo quase que exclusivo aos diálogos faz o filme parecer um sitcom.

Mas aí você lembra que ela já fez a melhor sitcom de todos os tempos. E depois da “Carrie Bradshaw sedada”, Brooke pode ser considerada a “Rachel Green sedada” – Aniston controla os maneirismos e expressões de sua outra persona, mas os deixa escapar em alguns momentos. Enquanto ela já fez melhor com Ross Geller, ele já teve a sua parceria de sucesso com Owen Wilson. Os dois não ganharam um milhão por episódio em um sitcom, mas fizeram uma das maiores bilheterias e um dos filmes mais divertidos de 2005.

E, por falar em parcerias, como toda comédia romântica, o casal chora as mágoas com os melhores amigos. A dela é Addie, vivida por Joey Lauren Adams, a rouca fofinha e sumida de “Procura-se Amy”! Toda vez que aparece, ela lembra uma das mais originais comédias românticas já feitas e prova que a fórmula batida de “Separados pelo casamento” não é obrigatória...

Já o amigo dele é Johnny O, interpretado por Jon Favreau. Ele também é diretor e comandou o recente “Zathura”. Aliás, o que ele faz aqui é basicamente a mesma coisa: orientar crianças – no caso, Gary, um adulto crianção e imaturo, que tenta achar nos conselhos insanos do amigo uma desculpa para as próprias mancadas.

E a ironia final: a idéia de um casal que descobre que, apesar de apaixonados, têm muitas pendengas a resolver e iniciam uma guerra mútua, foi concebida por Vaughn, que também produz o longa. Aliás, ele esteve em um filme similar no ano passado – lembram? Talvez o mais triste para “Separados pelo casamento” é que a química da dupla desse outro filme era bem mais ácida e sensual que a de Vaughniston, e a materialização da guerra com bombas e tiros era bem mais divertida.

Essa coincidência deixa (outra) dúvida: será que Vaughn teve a idéia desse longa porque ficou com peninha da Jen? Era isso que me encucava ao sair da sessão - e não o final “aberto”, que a realidade já tratou de “fechar”.

Jen: “Lembrei! Você é a loirinha daquele filme...daquele diretor...”

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