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Tudo dentro do previsto

07.07.06

por Lívia Bergo

Premonição 3

(Final Destination 3, EUA, 2006)

Dir.: James Wong
Elenco: Mary Elizabeth Winstead, Ryan Merriman, Kris Lemche, Alexz Johnson, Sam Easton

Princípio Ativo:
sangue e fotografias

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Inicialmente, o terceiro filme da série “Premonição” seria lançado apenas em DVD. Acabou chegando aos cinemas, cheio de mais do mesmo: um grupo de amigos se livra de um grande acidente, a bordo de um meio de transporte, digamos, alternativo – desta vez, o desastre não vem por carro ou avião, mas através de uma montanha-russa desgovernada. Os sobreviventes passam, então, a fugir de seu destino (a morte), buscando pistas nas fotografias tiradas no dia em que deveriam ter morrido.

“Premonição 3” não abandona as características de seus antecessores: traz péssimos diálogos, acidentes mirabolantes, atores perdidos em cena e a velha máxima de que “ninguém engana a morte”. Mas o requinte de crueldade deste “novo” filme é o texto. Na tentativa de explicitar ao público os dramas de consciência vividos pelas personagens, o roteiro exagera nos diálogos pseudo-profundos sobre medo, perda de controle, morte e demais mazelas humanas. “Pseudo” porque nenhum deles dura mais de 30 segundos e nunca conseguimos ignorar o fato de que tudo é dito por adolescentes mais preocupados com seus convites para a festa de formatura do que com assuntos tão delicados.

Com a tentativa de dar falas grandiosas aos jovens frustrada, os roteiristas James Wong e Glen Morgan (os mesmos de “Premonição”) conseguem apenas distribuir cacos a esmo. Isso, junto da escolha do elenco a apenas três dias antes do início das filmagens, não poderia resultar em personagens muito elaborados. Durante toda a trama, o máximo que descobrimos sobre eles, tamanha a inexpressividade, é que provavelmente morrerão no final. Ou antes disso.

Por falar em morte, como parece que a idéia é não variar o roteiro, os produtores têm se esmerado na (super)produção da carnificina. “Premonição 2” superou o primeiro no detalhismo da crueldade, e agora é inevitável perceber que tudo passou um pouco da conta. Com tantas mortes criativas e sangue na tela, a platéia tende mais a rir do que a sofrer diante de cada baixa. E aí o enredo se perde ainda mais.

Mesmo longe de ser “Todo Mundo em Pânico”, o tom do filme é leve, incluindo algumas poucas cenas engraçadas. Porém, perdida nesse fogo cruzado, está a mocinha, Wendy (Mary Elizabeth Winstead, de “O Chamado 2”). Na maior parte do tempo, ela parece ter ido a uma festa de Halloween pensando ser um funeral, tamanha a dramaticidade de sua personagem.

Não é de se estranhar que um filme tão confuso e com tantos extremos nos presenteie com uma bela abertura. Mesmo que os demais 110 minutos sejam bem ruins.

Pôxa, diretor! Não era pra eu chorar?

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