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Hello, stranger!

09.07.06

por Igor Costoli

Herencia

(Argentina, 2001)

Direção: Paula Hernández
Elenco: Rita Cortese, Adrián Witzke, Martín Adjemián, Julieta Díaz

Princípio Ativo:
O amor é para todos

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Subversão de expectativas. Porque definir “Herencia” como fruto do novo cinema argentino - ainda que o coloque num rótulo que prevê um trabalho dedicado e criativo - não diz muito, além da época em que é lançado. Uma rápida sinopse sobre o encontro de imigrantes em Buenos Aires é pouco. Encontro de gerações é bom, mas também falta algo.

A atriz Rita Cortese rouba a cena como Olinda, dona de um restaurante que leva seu nome em Buenos Aires. Italiana, chegou à Argentina depois da Segunda Guerra, tempo suficiente para já ter se tornado velha, rabugenta e amarga. O momento que muda os rumos dessa história é o cômico encontro de Olinda com Peter (Adrián Witzke), um alemão recém-chegado à capital argentina. E é de forma muito engraçada que um acaba ocupando espaço e importância na vida do outro, com uma química perfeita entre os dois protagonistas.

Aos 24 anos, o alemão arrumou briga com o pai ao largar tudo para trás e se aventurar na Argentina atrás de um amor adolescente. O mesmo fez Olinda, muitos anos antes, e agora vê a história se repetir. Mas não é um filme sobre esse amor ou o amor de Peter. É um filme sobre amor à vida - não sobre tê-lo, mas sim encontrá-lo.

E é exatamente essa a herança que fica. A Herencia do título pode ser tudo que os imigrantes trouxeram de sua terra, o que quiseram deixar por lá, e o que encontraram em suas andanças. Nenhuma dessas idéias é escancarada, mas vão aos poucos aparecendo nos diálogos e cenas de Olinda e Federico (Martín Adjemián), dois dos personagens de presença mais interessante do longa. Desenhista, Federico almoça diariamente no restaurante, enquanto rabisca no forro da mesa retratos dos freqüentadores do lugar. E ao desenhar, dá crédito aos outros cativantes personagens de “Herencia”, todos muito bem conduzidos pela direção.

Paula Hernández responde por ela e pelo roteiro de uma comédia dramática que passeia com muita habilidade pelos dois gêneros. Leve na medida, sensível na medida, densa na medida. Nenhum elemento falta ou aparece em excesso. Nem os prêmios: nos anos entre seu lançamento e sua chegada ao Brasil, o longa saiu da Argentina e conquistou prêmios de melhor filme e atriz em festivais no Chile, Espanha e Itália.

“...e o Ballack jogou melhor que o Riquelme também”

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