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O coringa e seus assistentes

28.07.06

por Daniel Oliveira

Piratas do Caribe: O baú da morte

(Pirates of the Caribbean: Dead man’s chest, EUA, 2006)

Dir.: Gore Verbinski
Elenco: Johnny Depp, Keira Knightley, Orlando Bloom, Bill Nighy, Jack Davenport, Stellan Skarsgärd, Naomie Harris

Princípio Ativo:
quem você acha? Orlando Bloom???

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Há um problema em resenhar “Piratas do Caribe”: fazer isso é concorrer com um dos melhores críticos de cinema de todos os tempos: Jack Sparrow. O personagem de Johnny Depp, mais que uma coleção de boas tiradas e maneirismos, é uma crítica ao gênero “ação-aventura” hollywoodiano, inserida dentro do próprio filme. É isso que agradou tanto no primeiro longa. Os exageros e falhas estavam ali, mas o debochado pirata subvertia todos eles - o espectador crítico não estava sozinho.

Nesta seqüência, lá pelas tantas, o herói Will Turner insiste que o Pérola Negra - bombardeado e encurralado - ainda pode combater o vilanesco Holandês Voador. Afinal, eles são os heróis e não podem morrer (é o que devem pensar alguns roteiristas, ao criar aqueles milagres em que os protagonistas derrotam os vilões incrivelmente mais fortes). Sparrow sabe que é óbvio que eles não podem ganhar. E dá no pé. O bom senso agradece.

O porém é que esse recheio bom da receita demora. A primeira hora é repleta de cenas mal dirigidas (com um tempo cômico atravessado) e diálogos ruins, que sempre tentam se salvar com uma gag de Jack ao final. Na primeira vez, você deixa passar. Na segunda, é irritante. Na terceira, fica insuportável.

A trama acompanha Sparrow, Turner e o comodoro Norrington na busca de um baú contendo o coração do pirata-monstro Davy Jones (Bill Nighy, debaixo de toneladas de maquiagem e efeitos). O “tesouro” ajudará Will a se casar; Jack a se livrar de uma dívida; e Norrington a reaver a moral e o cargo perdidos depois da fuga de Sparrow.

O longa só engrena mesmo quando eles encontram o tal tesouro. E não me xinguem por contar isso: o filme se chama “Piratas do Caribe: O baú da morte”. É claro que eles encontram o baú. A partir de então, o caráter farsesco e alucinado do primeiro “Piratas” parece renascer, as lutas voltam a ser divertidas e o diretor Gore Verbinski reencontra o ritmo.

A ótima trilha de Hans Zimmer, a direção de arte e os efeitos especiais impecáveis mostram onde mais de US$ 200 milhões foram gastos. Orlando Bloom continua fazendo o que lhe mandam: seu Will Turner cumpre a função de herói, com todas as falas e cenas clichês. Só não sei se Bloom percebeu que the joke is on him. E Keira Knightley retrata bem a conflituosa Elizabeth, levantando a questão: é dos piratas que elas gostam mais?

Mas o longa ainda é de Depp. Ao final, Lizzie está prestes a pegar uma arma e salvar o dia, quando Sparrow aparece triunfalmente e rouba a cena - como quem diz: você foi indicada ao Oscar, mas o filme ainda é meu. É a melhor síntese da milionária saga de “Piratas do Caribe”.

Depp: “I started a joke which started a billionary franchise...”

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