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A mesma fórmula do pseudo-insucesso

23.07.06

por Marcela Gonzáles

Thom Yorke - The Eraser

(Sum, 2006)

Top 3: “The Eraser”, “Analyse” e “Atoms for Peace”.

Princípio Ativo:
Anti-popice

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Depois da espera frustrada de ter os ingleses do Radiohead pela primeira vez no Brasil este ano, os fãs podem esperar um pouco mais aliviados pelo novo disco da banda, ainda em fase de produção. The Eraser, primeiro disco solo do vocalista Thom Yorke, chega às prateleiras e traz de volta o som dos tempos do Kid A (2000).

No alto de um muro de reclamações em caps lock, surgiu entre os fãs de Hilary Duff no Pílula uma pergunta: “quem diabos é Thom Yorke?”. Na realidade, o “quem” deveria ser substituído por “o quê”. Líder de uma das bandas mais revolucionárias dos anos 90, o creep mais famoso do mundo volta à sua fase mais ousada, repetindo a fórmula anti-pop que fez algumas pessoas acharem que marcaria o fim da carreira do Radiohead.

Após cair nas graças do público e da crítica com os ótimos The Bends (1995) e Ok Computer (1997), o quinteto inglês trocou a força dos dedos nas cordas de guitarra para força nas pernas na fuga do mainstream, e deixou muita gente se perguntando se a banda tinha enlouquecido.

Agora em projeto solo, Yorke joga o pop para o espaço novamente e brinca mais uma vez com suas parafernálias eletrônicas. “Analyse” é o melhor momento do disco: uma canção um pouco mais acessível, que une com perfeição melodia e letra, gruda na cabeça e deixa a vontade de apertar o repeat e cantar de olhos fechados. “Harrowdown Hill” tem boas linhas de baixo e é perfeita pra dançar no escuro, deixando Yorke adentrar nos ouvidos. Destaque também para “Atoms For Peace” e “And It Rained All Night”, com bastante diversidade de sons e uma voz fascinante do Thom. Mas há momentos menos agradáveis, como “The Clock” e “Skip Divided”, justamente porque pendem para o excesso de experimentalismo.

Parece que quanto mais Thom Yorke tenta sumir dos holofotes, mais chama a atenção e agrada, como canta ironicamente na faixa-título: “Quanto mais você tenta me apagar, mais eu apareço”. Talvez não queira passar essa imagem, mas este disco mostra um homem que continua creep, extraterrestre e gênio da música. The Eraser pode não ser um álbum que agrade a gregos e troianos, mas tem sim seus ótimos momentos, letras dignas de um poeta e ótimas melodias. Se você é do tipo que prefere a primeira fase do Radiohead, vai achar o disco cansativo e linear; mas se opta pela fase ousada, aí está uma boa pedida.

Hail to the creep

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