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Se quiser, art rock

28.07.06

por Marcelo Santiago

The Mars Volta – Amputechture

(Universal, 2006)

Top 3: “Vermicide”, “Viscera Eyes” e “Day Of The Baphomets”.

Princípio Ativo:
Prog rock triturado e devolvido

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Quando o The Mars Volta surgiu em 2001, a partir da cisão da seminal orquestra do barulho conhecida como At The Drive-In, surpreendeu uma legião de fãs com seu som muito mais experimental e calmo do que o feito pelo At The Drive-In. Os desavisados de outrora que se depararem com o novo álbum da banda, Amputechture, ficarão ainda mais perplexos.

Logo aos primeiros acordes de “Vicarous Atonement”, faixa que abre o álbum, não há como negar: eis um álbum de rock progressivo. Mas antes que venham à mente dezenas de referências progressivas entediantes, vale ressaltar: um disco de rock progressivo contemporâneo ou de, se quiser, art rock. O que o Mars Volta faz com o rock progressivo é semelhante ao que o Tool faz com o metal. As duas bandas caracterizam-se por pegar um estilo (metal no caso do Tool, prog rock no do The Mars Volta), triturá-lo e devolvê-lo de forma singular.

Mantendo o costume de lançar álbuns conceituais, o tema de Amputechture parece ser a religião, mas nada no The Mars Volta é fácil e são várias as interpretações. O primeiro disco da banda, De-Loused In The Comatorium, de 2003, foi criado em torno das alucinações de um artista durante seu estado de coma. O CD seguinte, Frances The Mute, lançado em 2005, inspirava-se na atriz Frances Farmer, natural de Seattle e submetida à lobotomia em 1948 e que também inspirou Kurt Cobain ao nomear sua filha e ao escrever Frances Farmer Will Have Her Revenge On Seattle, do álbum In Utero.

Para dificultar ainda mais o entendimento das letras, os vocais alternam entre o inglês e o espanhol, justificado pela origem latina da dupla central da banda, o vocalista Cedric Bixler e o guitarrista Omar Rodriguez-Lopez, que também assina a ótima produção do álbum. O som também não fica para trás no quesito “dificuldade de assimilação”. São apenas oito faixas em 76 minutos e músicas cheias de reviravoltas, como “Tetragrammaton”, de 16 minutos. Somente duas canções ficam abaixo dos sete minutos, sendo que uma delas, “Vermicide”, é sem dúvida a mais acessível e uma das melhores do álbum. É uma quase balada de letra bíblica e obscura.

Mas talvez a faixa que melhor represente a obra do The Mars Volta seja “Day Of The Baphomets”. Em seus 11 minutos estão todos os ingredientes presentes na mistura feita pela banda: garage rock, progressivo, música latina, jazz, post rock e, é claro, altas doses de experimentalismo.

Sozinhos na foto, mas com John Frusciante e Paul Hinojos no estúdio

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