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Amanhã eu resenho...

06.03.05

por Braulio Lorentz

Gorillaz - Demon Days

(EMI, 2005)

Top 3: “Dare”, “Fire coming out of a monkey´s head” e “Don´t get lost in heaven”

Princípio Ativo:
Desenho animado

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Minha vida nunca mais foi a mesma até o aparecimento deste segundo disco do Gorillaz, projeto que continua encabeçado por Damon Albarn, do Blur. Após baixar Demon Days, minhas caixas de som começaram a vibrar com os barulhinhos da banda de desenho animado mais famosa da música pop. Estava sendo ninado pela segunda faixa, “Last living souls”, quando começou a passar uma matéria legal no jornal da MTV.

Depois da pausa para assistir à reportagem, permaneci ouvindo os sons creditados aos bonecos virtuais Noodle (guitarra), 2-D (vocais), Murdoc Nicalls (baixo) e Russel Hobbs (bateria). Ouvia bravamente, mesmo com as pálpebras caindo. Ainda tive forças para anotar no meu bloco de recados que “O green world” parece ter saído do repertório de Ross Geller, renomado tecladista do seriado Friends. Eu sempre preferi o Chandler mesmo...

Surgiu então a péssima “Dirty Hary”, com participação do San Fernandez Youth Chorus. O coral de crianças deveria ter pedido a conta para o Tio Albarn e saído fora do estúdio para ir cantar o refrão de “Like toy soldiers” com o Eminem. A chatice (com pinta de hit) estava bem no finzinho quando apareceu na tela da televisão um clipe do Jeff Buckley. Adormeci com o som no pause e a TV no sleep.

No dia seguinte, prossigo minha audição do CD dos pais do Dogão, que por sinal é mau-au-au. “Feel Good Inc.”, com clipe na MTV e média rotação nas rádios, é a primeira música da minha manhã. A participação do De La Soul e as dezenas de “shake shake´s” ao longo da música dão uma acordada geral. A canção tem a mesma fórmula de outros hits do Gorillaz: zumbidos, batidas e refrão prontos para habitarem nossa cabeça durante todo o dia. E, principalmente, uma pegada hip hop para arrebatar fãs do gênero. Fãs que hoje em dia não são poucos e se comovem ao som de “Where´s the love”, do Black Eyed Peas, que, cá pra nós, tem um refrão bonito pra caramba.

Falar “shake shake” no começo, no meio e no final é a típica artimanha de uma música do Nelly ou da Beyonce. Com a diferença de que tanto o moço, quanto a moça, optaram pelo uso ininterrupto de “Ow ow´s” em seus respectivos sucessos “Dilemma” e “Crazy in Love”.

O final do disco ainda consegue dar uma guinada, mas já é tarde para reverter o jogo. O que serve de consolo é a qualidade da seqüência “Dare”, “Fire coming out of a monkey´s head”, “Don´t get lost in heaven” e a faixa-título. Depois de tanto blábláblá, qual é a lição? Escutar Demon Days da primeira à décima quinta música, sem pausas, é uma tarefa das mais difíceis. Tente aí, e me conte depois.

Noodle (em destaque): o principal compositor da banda

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