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Enquanto isso, los hermanos...

05.09.04

por Daniel Oliveira

Histórias Mínimas

(Historias Mínimas, Argentina, 2002)

Dir.:Carlos Sorin
Elenco: Javier Lombardo, Antonio Benedicti, Javiera Bravo, Francis Sandoval

Princípio Ativo:
Sentimental, eu sou...

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Uma revolução política, lágrimas incontroláveis, risadas catárticas. Alguns filmes têm pretensões bem claras para o espectador. Outros simplesmente querem contar uma história simples, bonita e de emoções autênticas. É o caso deste Histórias Mínimas, do argentino Carlos Sorín que, apesar de ser de 2002, só chegou às salas de BH no Indie 2004.

Para apreciar o filme, abandone o sarcasmo blasé que impede de acreditar em qualquer sentimento que não possua segundas intenções embutidas. É necessário deixar as expectativas de narrativas revolucionárias e reviravoltas retumbantes para a sessão “daquele diretor fã de Tarantino”. Sorín parece estar preocupado somente em apresentar seus personagens e descrevê-los contando pedaços de suas histórias, em que a vida pôde ser repensada e, por quê não, reiniciada.

Clichê? Clichê também é a narrativa, mais que batida, de histórias que se entrecruzam num determinado lugar. Don Justo Benedicto é um senhor de idade, que passou sua vida inteira cuidando de sua vendinha de beira de estrada. Um dia, ele fica sabendo que seu cachorro, perdido há mais de 3 anos, foi visto na cidade de San Julián. Maria é uma pobre dona de casa e mãe de um recém-nascido, que é chamada por um programa de TV de San Julián, para concorrer a um processador de alimentos. Roberto é um representante comercial que quer conquistar uma de suas clientes de San Julián, viúva, levando um bolo para o aniversário do filho dela.

Utilizando-se de atores amadores e de uma fotografia que retrata uma Patagônia ampla e belíssima, Sorín evita as emoções fáceis. Seja na redenção comprada (Don Justo), no engano decorrente da própria arrogância (Roberto), ou na simples descoberta da própria beleza (Maria), o filme foge dos julgamentos e situações grandiosas, para mostrar que é nas histórias mínimas que as transformações de repercussão mais forte dentro de nós ocorrem.

O diretor não quer soluções definitivas. Nem um final que amarre todas as pontas e dê sentido a tudo. Histórias mínimas não são assim. Elas falam dos momentos e reviravoltas mais íntimos, que só o próprio indivíduo percebe. Se Sorín e seu elenco conseguem ou não dar conta do recado, cabe a cada espectador dizer. O filme ganhou vários prêmios da Crítica Argentina e do Prêmio Goya do ano passado; e vale dizer que o novo filme do diretor, Bombón, el perro, estréia no Festival Rio BR 2004. Ah! E se um sorriso espontâneo surgir em seu rosto após assistir ao filme, lembre-se que não é uma pretensão do filme, simplesmente você se sentiu assim.

Uma boa história, uma boa mesa de bar...

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