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Funk de patricinha

21.08.06

por Braulio Lorentz

Perlla – Eu só quero ser livre

(Deckdisc, 2006)

Top 3: “Tremendo Vacilão”, “Males” e “Totalmente Demais”.

Princípio Ativo:
Tira tchoron tira tchoron ou ah ou há

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Conhecida como a patricinha do funk carioca, Perlla tem 17 anos e duas músicas estouradas em rádios e festinhas adolescentes. Para emplacar “Tremendo Vacilão”, a garota contou com um empurrãozinho do DJ Marlboro, que incluiu a divertida música na coletânea “Bem Funk”. Com “Totalmente Demais”, cover da música da banda Hanoi Hanoi, o grande trampolim foi a novela global “Cobras e Lagartos”. A canção que já foi gravada por Caetano Veloso embala as peripécias de Helen, vivida pela atriz Taís Araújo.

Os dois maiores momentos de exposição da menina que teve o nome inspirado na famosa cantora paraguaia são o cartão de visitas do disco de estréia. A patricinha do funk confirma o apelido e entrega 14 músicas com temas como namoros mal-resolvidos e celulares não atendidos. Em vez de afirmar que “Dako é bom”, frase repetida milhares de vezes por Tati Quebra-Barraco, Perlla prefere descrever um tal de “Beijo Bom”. Trocadilhos e duplo-sentidos não batem cartão nas letras de Eu Só Quero Ser Livre.

“Agora baba bobo vai correr atrás de mim”, canta a moça no hit “ Tremendo Vacilão”. Que “baba baby” que nada, Perlla prefere chamar os babões de vacilão, bobo ou amarelão. Na balada “Já não somos mais livres” ela diz que quer “sair por aí”, “fugir de tudo”, mas para tanto acha melhor caminhar na areia da praia do que ir rebolar em bailes funk. Noutra balada, “Depois do Amor”, o convite ao rapaz é para caminhar na rua de mãos dadas.

“Tudo Bem” de Lulu Santos e “Males” gravada por Claudinho & Buchecha são mais duas versões do álbum. MC Buchecha é um dos sons que mais respinga nos acertos de Eu Só Quero Ser Livre: as letras inocentes sobre amores encaixadas nos melodiosos funks assinados pelos produtores Mãozinha DJ e Umberto. Quando Perlla escolhe “curtir o batidão” como em “Groove Dance”, ela deixa saudades do funk melody com tramas adolescentes sobre paqueras e celulares.

Perlla emenda um punhado de músicas que são menos irritantes do que as da fase “Tô Nem Aí” de Luka e mais divertidas e frescas do que as de Kelly Key. Portanto, não incomoda ter que ouvi-la na rádio que minha irmã ouve ou na novela que minha mãe vê. Tudo isso me faz lembrar dos bons tempos de Claudinho & Buchecha, quando os “Tchururu's” da dupla ficaram famosos. Mas “Tchururu” é coisa do passado, a onda agora é “Tira tchoron tira tchoron ou ah ou há / Na madrugada abandonada e não atende o celular / Tirando onda cheio de marra achando que eu vou perdoar”.

Foto 2 em 1: divulgação e book de 15 anos

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