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At war against emo shit!

28.08.06

por Igor Costoli

Ratos de Porão - Homem Inimigo do Homem

(Deckdisc, 2006)

Top 3: “Ao pé da Forca”, “Quem te viu...” e “O Equivocado”.

Princípio Ativo:
Somos a favor do contrário de tudo isso aê...

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São quase 25 anos de carreira, todos eles com um corpinho de 16 (época da adolescência em que o jovem tem mais energia, está mais inconformado com o que quer que seja e como se já não estivesse excepcionalmente feliz com essa tal de cerveja, alguém lhe apresenta ao tal do baseado). O trabalho do Ratos de Porão é longo e sólido, e nesse tempo todo mantiveram-se fiéis à sua raiz punk, para bem e para mal.

“Homem Inimigo do Homem” tem aquele gostinho de mais do mesmo. Não é excepcional, não muda os rumos da sonoridade da banda e não levanta grandes bandeiras. Entretanto, a pegada das músicas continua forte o bastante para garantir a alegria do mosh.

João Gordo assina todas as letras, dividindo apenas a autoria de Lucidez com o baterista Boka. De modo geral, as composições não ajudam por – não ria – falta de sutileza. Acredito ser errado esperar metáforas ou qualquer outra figura de linguagem de uma banda punk, mas em alguns momentos as canções se dividem em didáticas (caso de “PM’s de Satã” e da própria “Lucidez”) ou libelos anti-sistema de alunos da oitava série (nesse grupo estão “Covardia de Plantão”, “Testemunhas do Apocalipse” e a faixa-título “HIDH”).

“A sociologia tenta explicar / toda antipatia em dose cavalar / parâmetros sem nexo parece estudar / um jovem coroinha pelado no altar”. A canção se chama “Pedofilia Santa”, mais que direto, o recado é obsceno. Ninguém foi poupado na temática de HIDH: padres, políticos, torcidas organizadas, poluição, sobrou até pro coitado do emo. Aliás, “bem alimentado/ mal-acostumado/ assim fica fácil viver nesse mundo” seriam ótimos como ironia, mas ao final da faixa “O Equivocado”, JG não resiste: “Good Charllote é uma bosta. Simple Plan é uma bosta. Tudo que você gosta é uma bosta”, e aí até concordo, já que o negócio é tirar sarro, melhor endereçar mesmo.

Mas as melhores são mesmo as mais sutis, se é que posso chamá-las assim. “Ao pé da Forca” é endereçada de modo tão geral e irrestrito que acaba acertando um outro alvo, que não consta impresso com a letra (além de ser um dos melhores petardos do álbum). Outro destaque é “Quem te viu...” com o verso “Luiz agora está embriagado pelo poder” que, perto das outras faixas, é quase Chico Buarque. Eu cheguei a dizer “perto das outras”?

Cara de mau, camisa preta e tiração de sarro

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