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Da Rússia para a “Uh-Merica”

31.08.06

por Lígia Souza

Regina Spektor – Begin to Hope

(Sire Records – Importado, 2006)

Top 3: “Better”, “Après Moi” e “On The Radio”.

Princpio Ativo:
Anti-folk

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Ela é uma mocinha de voz macia que não se preocupa em cantar sobre meninos. Só de saber isso de Regina Spektor, já dá vontade de ouvir. Essa russa quase americana nasceu em Moscou e se mudou para o Bronx com a família aos nove anos de idade. Desde que vivia na Rússia já tinha contato com a música ocidental, que o pai violinista ouvia. Mas foi nos Estados Unidos, enquanto estudava piano clássico na Universidade Estadual de Nova York, que realmente ouviu blues e jazz, e assim foi influenciada por artistas como Billie Holiday. Regina toca o que é chamado de “anti-folk”, uma espécie de mistura de folk, tradicional estilo musical americano, com punk. No seu MySpace, estão os “membros da banda”: Regina Spektor - piano, voice, drumstick on chair, heart, mind, time...

Depois de anos tocando em bares de Nova York, lançou em 2001 seu primeiro cd, 11:11. Em 2004, foi a vez do Soviet Kitsch, CD produzido por Gordon Raphael, que também trabalhou com os Strokes. Depois disso, abriu show dos caras, se tornou amiga deles e acabou gravando um dueto com Julian Casablancas. A música, “Modern Girls And Old Fashioned Men”, foi b-side do single Reptilia. A amizade acabou rendendo outra parceria: Nick Valensi, guitarrista da banda, participa da faixa “Better”, deste CD, Begin to Hope.

O álbum é mais “tradicional” que o antecessor. Soviet Kitsch é diferente, tem pausas, sons estranhos. Mais que sons que os aparelhos do estúdio podem oferecer, ela usa a própria voz. E isso é o suficiente. Em Begin To Hope ela também faz isso, mas menos. Não que seja um CD ruim, pelo contrário. A faixa “Better”, por exemplo, é uma música comum cantada por alguém com voz comum. Nada de extraordinário, mas ainda assim é uma música incrível. A letra já vale. É o mesmo caso de “Samson” (“You are my sweetest downfall / I loved you first, I loved you first”) ou “On The Radio”. O que não precisa de melodia para agradar, com ela melhora. Em “Après Moi”, Regina volta às raízes russas e canta versos do poeta Boris Pasternak, o autor do clássico “Dr. Zhivago”, aquele do filme que deu nome a várias Laras e Larissas por aí.

As outras músicas do álbum não ficam para trás: as calmas “Field Below”, “20 Years Of Snow”, “Summer In The City”; as rápidas e um pouco mais experimentais “Hotel Song” e “Edit”; e as do disco bônus, como a irônica “Uh-Merica”. Begin to Hope é criticado por ser mais pop que Soviet Kitsch. Não chega a ser tão bom quanto os antecessores, mas ainda assim vale a pena ouvir. Muito até. E torcer para que ela venha fazer um show por aqui logo.

Parece fofinha, mas o negócio dela é rock mesmo

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