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Kill Matt

03.09.06

por Daniel Oliveira

Minha super ex-namorada

(My super ex-grilfriend, EUA, 2006)

Dir.: Ivan Reitman
Elenco: Uma Thurman, Luke Wilson, Anna Faris, Rainn Wilson, Eddie Izzard

Princípio Ativo:
Uma Thurman

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Se o “Superman - o returno” de Bryan Singer tivesse o senso de humor camp, a despretensão e a capacidade de auto-zoação de “Minha super ex-namorada”, ele teria sido tudo aquilo que não foi. Jogar os dois longas em um liquidificador em proporção 50/50 talvez gerasse algo tão bom quanto o primeiro “Superman”.

“Minha super ex-namorada” é um conjunto de imperfeições que funcionam amalgamadas por Uma Thurman e Ivan Reitman. Ela seria Jenny, uma garota neurótica, ciumenta (e louca, como nós homens conhecemos muitas). Seria, se não fosse a super-heroína G-girl – com super-poderes, vôo e todo aquele lance Superman, só que com saias. Após a rejeição do (quase) namorado Matt, ela tem uma crise neurótica – só que turbinada por suas habilidades especiais. Homens, tremei.

Ele, Reitman, é o diretor capaz de enxergar o quanto essa história é absurda e narrá-la com a naturalidade necessária para que alguém pergunte: “Por que a G-girl jogou um tubarão em nós?”. Não por acaso, ele é pai de um outro diretor tão auto-crítico quanto: Jason Reitman.

O que não impede alguns deslizes. Exemplo: Thurman é, definitivamente, o melhor do filme, com o encaixe perfeito de suas expressões exageradas na neurótica super-heroína. Reitman, porém, em determinado momento do filme, perde seu tempo com o romance paralelo de Matt, interpretado por Luke Wilson – o irmão cagado, sem sal e menos engraçado do Owen Wilson. Pior: o tal romance é com Hannah (Anna Faris).

Wilson e Faris só servem para bancar os idiotas e ressaltar o talento de Thurman. Desconfio, inclusive, que Faris só aceitou esse papel tão bobo por uma fala em que Matt diz que Hannah é “a mulher mais inteligente e bonita que ele já conheceu”. Depois de quatro “Todo mundo em pânico”, ela precisava ouvir isso em um filme. Mesmo que não fosse verdade. O único destaque no elenco, além da protagonista, é o impagável Rainn Wilson (do seriado “The Office”), como Vaughn, o amigo do mocinho. Até um desnecessário sonho de Matt fica legal por causa dele – e de Love is a game do Magic Numbers, ao fundo.

Aliás, essa cena talvez represente “Minha super ex-namorada” – um filme em que mesmo os clichês da comédia romântica soam divertidos. No final das contas, ele é mais uma metáfora das dificuldades de relacionamento – e se todo homem sair da sessão com medo da G-girl, o objetivo foi alcançado. E o final ridículo é redimido pela capacidade do longa de rir de si mesmo. Junto com o bom timing cômico de Reitman, isso só nos deixa pensando: ah, se Bryan Singer soubesse o quanto é ridículo voar por aí com uma cueca vermelha por cima das calças...

Lembra uma vez que eu disse que ela era insana? Pois então.

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