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A Guerra Total

19.10.06

por Rodrigo Campanella

Murderball – Paixão e Glória

(Murderball, EUA, 2005)

Dir.: Henry Alex Rubin e Dana Adam Shapiro
Elenco: Mark Jupan, Joe Soares, Andy Cohn, Bob Lujano

Princípio Ativo:
gladiadores com rodinhas

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Para entender como Murderball é um filme de guerra e não um documentário sobre o quad ball, rúgbi em cadeira de rodas com paraplégicos, basta recorrer às películas de onde ele toma engrenagens emprestadas.

Boa opção é começar um filme do gênero com uma bem-armada batalha inicial para despertar os nervos. Pode ser tanto o desembarque na Normandia no dia D sob uma tempestade de chumbo nazista, em “O Resgate do Soldado Ryan”, ou um embate EUA vs. Canadá na final do mundial de quad rúgbi. Começa aí a grande sorte do doc – produzir seu material exatamente quando supremacia americana no esporte é ameaçada e, depois, destronada. O Canadá vence por um ponto no minuto final e o documentário seguirá a equipe norte-americana até as Olimpíadas de Atenas, onde poderá ser dado o troco.

Deve haver também uma voz da autoridade, raivosa e incansável, que é quase o motor da puxada de gatilhos. É papel de alguém com patente superior, seja a máquina avassaladora quer era o Sgto. Hartman de “Nascido para Matar” ou o técnico do time canadense, Joe Soares. Seu retrato no filme parece o de um feixe nervoso ligado diretamente na tomada. Aqui eu fiquei na dúvida: apesar de toda arrogância dos dois lados ser exibida (e exaltada), o filme parece torcer é para o Canadá.

Do lado estadunidense, a grande estrela é Rambo, ou melhor, Mark Zupan. Você até se pergunta se é permitido colocar em quadra uma parede de tijolos sobre rodinhas, porque é assim que o filme o exibe. “Rambo” não é exatamente um filme de guerra, mas uma história da guerra interminável. Zupan segue a mesma lógica e leva o espírito de demolição para além das quadras, mantendo a glória de ser um self-made burucutu.

A batalha final ateniense (sorte maior, só se fosse espartana) pode ser comparada a qualquer batalha final do gênero, com a devida adrenalina injetada direto nos olhos e ouvidos, com edição acompanhando o tizimmm-bum! nas caixas de som. Mas a lembrança maior para mim foi o último tiroteio de (novamente) “Nascido para Matar”, onde toda a batalha já perdeu o sentido. Mas a vontade do filme era ser o finalzinho de “Círculo de Fogo”, aquele com Jude Law.

O resíduo final na cabeça é algo como assistir “Apocalypse Now” de dentro de um liquidificador ligado, com direito a drops de coração sabor bons sentimentos para fechar o filme e queimar a garganta. A neurose americana chega a tal ponto que usa a estética da guerra total em qualquer lugar. Aqui, com o acréscimo (paradoxal) de poder torcer contra a arrogância americana sem dó e na companhia do próprio filme.

Uma parede de tijolos carrega uma bola no colo

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