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Uma resenha é pra isso?

13.09.06

por Braulio Lorentz

Skank – Carrossel

(SonyBMG, 2006)

Top 3: “Garrafas”, “Até o amor virar poeira” e “O som da sua voz”.

Princípio Ativo:
Parcerias e “dubiráum-dáuns”. Ah, e britpop, claro.

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Prova de que uma resenha depende bastante do bom (ou mau) humor do jornalista, este texto seria bem diferente se tivesse sido escrito há três semanas. Durante as primeiras audições do sétimo disco de inéditas do Skank, cada faixa me ensinava um jeito novo de levantar a sobrancelha. Todas as 15 músicas traziam pontos de interrogação de brinde: da mais radiofônica “Uma canção é pra isso”?, à mais viajada “Garrafas”, com os versos: “Os bongôs marroquinos nas mãos”? Ao menos as letras de Chico Amaral não estranhavam, por serem estranhas o suficiente. Quase um mês se passou desde o lançamento, e agora já dá para contar o que nos encantou. Afinal, uma resenha é pra isso.

Canções pra isso

Os refrões memoráveis são escassos, com exceção da balada “Lugar”, com letra de César Maurício, do Radar Tantã. “Garrafas” é uma bela viagem para a Califórnia. A faixa confirma que o baixista Lelo Zanetti ouve bastante Beach Boys e não deveria assinar apenas uma canção por CD, como faz desde Maquinarama (2000).

A sequência power pop do início (“Uma canção é pra isso”, “Até o amor virar poeira” e “O som da sua voz”) é a melhor do álbum, com algumas ressalvas. A primeira e a segunda são cheias de “dubiráum-dáuns” e derivados, que nunca estiveram tão presentes. Na terceira, “Yellow”, do Coldplay, manda um abraço pro começo, e “All around the world”, do Oasis, manda um beijo pro final.

Por falar em parecenças, quem souber com qual música se parece “Mil Acasos”, por favor avise aí! E não vale falar que é a levada de “Coffee and TV”, do Blur, porque várias são assim.

Pra isso é que não é

A parceria entre Samuel Rosa e Nando Reis, que se repete desde que “É uma partida de Futebol” apareceu em O Samba Poconé (1996), provoca estranhamento. “Eu e a felicidade” é muito diferente de “Resposta”, “Ali” ou “Dois Rios”. No repertório da banda mineira, ela soa fora de lugar. Até o guitarrista e vocalista do Skank soa como se fosse Nando.

Embora a composição de Samuel com Arnaldo Antunes deixe gosto de picanha no ouvido, se Rosa fizer uma música com André Jung – baterista do Ira! e o primeiro a ser um ex-titã – ele vai gabaritar! “Trancoso” é o nome da praia que inspirou os dois autores na feitura da música. Todas as vezes que alguém me perguntar qual o sentido da expressão “música de churrasco”, colocarei Carrossel no aparelho de som e apertarei 13 vezes “>>/” ou 3 vezes “/<<”, no caso do aparelho ter essa propriedade. Peraí. Aham, o daqui do meu quarto tem. Vou aproveitar e mudar de disco. Não que este seja ruim, três semanas é que é tempo pra cacete.

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