Busca

»»

Cadastro



»» enviar

Abuse e Use

26.09.06

por Igor Costoli

O Diabo Veste Prada

(The Devil Wears Prada, 2006)

Dir: David Frankel
Elenco: Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt, Stanley Tucci

Princípio Ativo:
Gisele Bündchen que não é...

receite essa matéria para um amigo

O Diabo veste Prada é um livro que teve seus direitos vendidos ao cinema antes de ter o primeiro capítulo concluído. Tudo graças à personagem central, Anne Wintour, editora da Vogue americana e mundialmente conhecida por seu gênio indócil. Há uma grande sacada por trás deste filme. O livro escrito por sua ex-assistente Lauren Weisberger, nada traz sobre tendências ou moda, e dizem não poder sequer ser considerado divertido. A grande sacada, então, foi rechear o filme com aquilo que não tem na obra original.

Andrea Sachs (Anne Hathaway), jornalista recém-formada e atrás, principalmente, de contatos que a levem a um grande jornal é a personagem correspondente a Lauren. Para conseguir isso, topa sujeitar-se a um ano de humilhações promovidas por Miranda Priestley (Meryl Streep), editora-chefe da Runway, a bíblia da moda no mundo.

Completam a história vestidos caríssimos, jaquetas, bolsas de 1.100 dólares, essas bobagens. Seria impossível não dizer que, sob esse aspecto, trata-se de um Velozes e Furiosos para mulheres: uma exibição contínua de objetos de desejo feminino. Entretanto, as mulheres se deram muito melhor na comparação. Aline Brosh McKenna fez do livro um roteiro Hollywoodiano, com tudo que essa definição traz, para bem e para mal.

Os homens não precisam ter medo do filme: Andrea é contratada como assistente de Miranda exatamente por não se importar nem minimamente com moda. Passa todo o início do filme algo entre rindo e inconformada com a futilidade do mundo em que acabou entrando, uma postura impensável pra uma mulher, e com a qual não há homem (homem mesmo) no mundo que não se identifique.

Mas logo Andrea nos abandona, descobrindo sua própria vaidade enquanto tenta sobreviver ao meio. E o que nos resta a partir daí são as ironias. O sucesso dessa história de superação, mais “drama da pessoa que cresce profissionalmente e perde namorado e amigos”, se deve principalmente a seu elenco. Meryl Strep faz o papel de uma mulher tão má quanto o Vin Diesel. Emily Blunt brilha com a antipatia de sua Emily e Stanley Tucci com o cinismo de Nigel. Gisele Bündchen é a única que brilha pela fraqueza de sua atuação em tão poucas aparições.

Aviso aos antropólogos: Andrea não conseguia entender o fascínio da moda nem o quê exatamente movia esse mundo tão fútil quanto rico. Sobem os créditos e a relevância desse fortíssimo mercado fica sem resposta. Das duas uma: ou continuam guardando o segredo pra eles mesmos, ou o fato da personagem nem se dar ao trabalho de pensar mais nisso é a ironia final.

"é, logo vi que não teria tempo pra almoço aqui..."

» leia/escreva comentários (11)