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Na onda do não sei

03.10.06

por Mariana Souto

Ela é o Cara

(She´s the man, EUA, 2006)

Dir.: Andy Fickman
Elenco: Amanda Bynes, Channing Tatum, Laura Ramsey, Robert Hoffman

Princípio Ativo:
armários esquisitos

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Nem se você estiver na puberdade, “Ela é o cara” é o filme. Entre as comédias adolescentes, “10 coisas que eu odeio em você” ou “Meninas Malvadas” são mais bacanas. Mas alguns momentos engraçados e seqüências bem filmadas tornam a experiência agradável. E ainda dá pra se divertir com o impacto do filme na garotada e seus comentários. No início, fizeram pontuações pertinentes como “qual é o nome do filme mesmo?”.

“Ela é o cara” é longinquamente baseado em Noite de Reis (Shakespeare), uma comédia de troca de identidade em que Viola se disfarça do irmão Sebastian, apaixona-se por Duke Orsino, que se apaixona por Olívia, que se apaixona por Viola travestida de Sebastian. A trama é trazida para o ambiente moderno, e ao mesmo tempo primitivo, convenhamos, da high school americana. A referência não é explícita, mas os nomes dos personagens foram mantidos dando uma sensação de elemento fora de contexto. A bochechuda Amanda Bynes recebe o nome de Viola e outros nomes estranhos ao ambiente americano (Horatio, Malvolio) saltam aos ouvidos, em meio a citações deslocadas.

“Ela é o cara” teoricamente carrega a bandeira feminista: Viola luta para jogar futebol, sua grande paixão, vencendo a descrença dos homens a respeito de sua qualidade como atleta. Vive fugindo da mãe conservadora que teima em enfiá-la em vestidos pomposos ou, como diriam meus colegas de sala de projeção: “essa mãe pirou, véi”.

Mas há puro machismo velado por trás disso. Ao tentar celebrar a igualdade dos sexos, o filme dá um passo para frente e dois para trás. O conteúdo explícito é anti-machista, mas o implícito avacalha essa intenção. Viola tem noções ridículas do mundo masculino. A qualidade de seu disfarce é medida por sua escarrada e seus comentários depreciativos/pervertidos sobre garotas – e sua desculpa para escapadas rápidas é “preciso ir me barbear”. Como Sebastian, conquista o respeito do colégio ao humilhar uma menina publicamente dando-lhe um fora. E lá isso é ser homem. Do outro lado, Olívia se interessa não por Duke, mas por seus músculos.

Junto dessas involuções estão momentos de tolerância mostrando um filme que não sabe bem de que lado está. Duke provoca “ownnn” nas meninas da platéia por sua sensibilidade. Viola critica o salto alto dizendo ser um instrumento de fetiche masculino, mas logo aparece com o pé dentro do bendito.

E se ainda der tempo, siga a observação da minha vizinha de cadeira: “ou, na minha festa de 15 anos também vou para o bosque!” (essa é para quem já assistiu).

Amanda Bynes é a da direita. Eu acho.

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