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Balcões do oeste

21.09.06

por Braulio Lorentz

Verão em Berlim

(Sommer vorm Balkon, Alemanha, 2005)

Direção: Andreas Dresen

Elenco: Inka Friedrich, Nadja Uhl, Andreas Schmidt, Stefanie Schönfeld, Vincent Redetzki

Princípio Ativo:
A vida

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O título simples e direto já adianta muita coisa. É verão, estamos em Berlim e por uma hora e cinqüenta minutos enxergamos a vida através dos olhos de duas mulheres (Nike, enfermeira que cuida de idosos, e Katrin, que procura por emprego) e um garoto (Max, filho adolescente de Katrin). A comprovação da dispensabilidade de análises profundas vem junto com a presença do diretor boa-praça Andreas Dresen, que compareceu à sessão do Festival do Rio em que estive.

Em vez de falar sobre os tipos comuns de seu longa ou sobre o fato da Berlim do título ser a oriental, Dresen prefere contar um caso sobre “Guten Morgen, Sonnenschein”, versão em alemão da música “Canta Canta, minha Gente”, de Martinho da Vila. A canção aparece duas vezes no filme e tem bem menos importância do que os balcões de Berlim, citados no título original da película.

A tradução literal de “Sommer vorm Balkon” é algo como “Verão no balcão”. A varanda que se comunica com prédios é peça importante na história. No balcão do apartamento de Katrin, as amigas se encontram à noite, colocam a conversa em dia, tomam vinho e observam a vizinhança. Outro balcão, o da morada de Nike, é usado para que a moça dê uma lição em seu affair, o caminhoneiro Ronald, interpretado pelo impagável Andreas Schmidt.

Em algumas cenas juntos, noutras separados, os três personagens principais vivem uma estação cheia de amores e desilusões no lado leste da Alemanha. Pelo mesmo lado, Dresen dirigiu seus trabalhos anteriores, como “Entre Casais” (2002) e “Willenbrock comprou uma arma” (2005). Em todos os casos, a matéria-prima é o cotidiano de pessoas que passam cerca de duas horas tropeçando, caindo e levantando – não necessariamente nessa ordem, mas necessariamente com um climinha de que “a vida vai melhorar, vai melhorar”.

Pulando para o lado de cá da tela, pode ser também que as coisas melhorem. Para tal, basta que os tapinhas nas costas do diretor alemão – dados pelo pessoal da organização do Festival do Rio – sejam um pouco mais fortes. Se assim forem, Dresen levará a sacudida da qual precisa para deixar de ser um cineasta simpático com empreitadas simpáticas. Fugindo desse adjetivo, talvez da próxima vez que tiver atores bons e história regular, ele consiga entregar um filme cuja melhor definição não seja “ah, não é ruim”.

“Este filme tá tão morno que eu vou pedir uma pizza”

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