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Não sei, mas é Weezer

16.03.05

por Braulio Lorentz

Weezer - Make Believe

(Universal, 2005)

Top 3: “This is such a pity”, “Perfect Situation” e “The other way”.

Princpio Ativo:
Farofa indie

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“Sem dúvida, o primeiro álbum do Weezer (de 1994). Logo que saiu achei o disco numa promoção por R$ 5,99”. A resposta de Marcelo Camelo, do Los Hermanos, à pergunta “Qual o disco mudou sua Vida”, na revista Showbizz de maio de 2000, mostra o quanto ele é sortudo. Achar o Blue Álbum na promoção é algo quase inacreditável. Ainda mais se levarmos em conta que o disco não foi lançado no Brasil. Paguei R$ 23,90 pelo meu primeiro CD do Weezer, o Pinkerton. O disco, esse sim lançado por aqui, é de 1996, mas caiu em minhas mãos no começo de 1999.

A ressaca pós-fama rendeu um dos melhores disquinhos da minha estante. Mas daí você se pergunta. Fama? Ahan, o Weezer manda e desmanda lá nos states, foram capa da Rolling Stone no mês passado e por aí vai. Se bem que a Jennifer Aniston também já foi. Enfim, depois do Pinkerton, dois petardos apareceram nas prateleiras: o mediano Green Álbum, de 2001, e o mais mediano ainda Maladroit, de 2002.

O que nos leva a este Make Believe. O quinto disco do Weezer é parte integrante da saga “metal-farofa-guitar-rock” do quarteto californiano. “Mas isso é bom ou ruim?”, você deve estar se perguntando. Depende. São doze canções que pela primeira vez trazem teclados e continuam com a caravana dos “heróis indie-nerds de bom coração”. A microfonia foi embora e deixou os teclados em seu lugar. A ode às garagens do primeiro disco e a obsessão por garotas japonesas do segundo provavelmente nunca mais virão à tona. Quem não tem Matty Sharp, baixista e backing vocal nos dois primeiros álbuns, se contenta com moçoilas gemendo ao som de Kiss, como no single “Beverly Hills”.

O Weezer se afoga em ranços oitentistas, faz clipe na mansão da Playboy e perde fãs à medida que ganha muitos outros. O negócio é que eles são norte-americanos até o dedão do pé, e colocar Muppets, peitudas e personagens de sitcom não é uma mera coincidência. Porém, por incrível que pareça, nenhum dos momentos farofentos deste disco cora as bochechas dos fãs xiitas da banda. Talvez “This is such a pity”. Não, não. Nem ela.

“Peace”, “Perfect situation” e “The other way”, por outro lado, são as que provavelmente agradarão essa cambada. “We are all on drugs” é sobre popularidade e aborda com ironia o assunto. “Peace”, “Haunt you every day” e “Hold me” são as baladas, com guitarras pesadas e falsetes de montão. “My best friend” não é uma balada, mas tampouco é recomendada para diabéticos. Se “Amigo” de Roberto e Erasmo Carlos fosse um óculos com lente fundo de garrafa, ela seria um óculos de aro preto com lente fundo de garrafa. Ser nerd nunca foi tão popular e ser “anos 80” muito menos.

Weezer: heróis indie-nerds de bom coração

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