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Arraste e solte

17.10.06

por Rodrigo Campanella

Deu a Louca na Chapeuzinho

(Hoodwinked, Estados Unidos, 2005)

Dir.: Cory Edwards, Todd Edwards e Tony Leech
Elenco: Anne Hathaway, Glenn Close, James Belushi, Patrick Warburton, Andy Dick

Princípio Ativo:
Kevin Smith não esteve aqui

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Os Monty Phyton faziam graça transformando qualquer atiradeira em telhado de vidro: espermatozóides, padres ou a política de impostos britânica se cruzavam na pauta do dia. “The Office”, a série, tira seus risos de um mundo em que a política de impostos britânica virou algo tão metafísico que ganha em graça das piadas com padres ou espermatozóides. “O Bicho Vai Pegar” tinha seu melhor na ironia típica de uma geração shopping. Já o humor de “Deu a Louca na Chapeuzinho” é uma mistura de arraste-e-solte e piadas bestas com contos de fadas. Não é genial, mas diverte.

Falar da falta de genialidade não é tentar desculpar a pouca ousadia na história, nas piadas, no roteiro. Mas é que boa parte da diversão do filme está nas piadas batidas e rápidas – e divertidas. Piadas de recreio, como um amigo meu chamaria. Como aquela de que a próxima investigação do policial do filme seria sobre a construtora de uns porquinhos que fazem casas que não agüentam nem um sopro...

É nessas risadinhas rápidas (aviso: o filme não contém gargalhadas) que o filme ergue um dos braços para tentar agarrar o espectador. O outro braço, bem mais ágil, é o grande arraste-e-solte que ele traz.

A brincadeira é simples. Enquanto o filme pega outros gêneros do cinema, outros filmes e outras ironias e solta em cima do conto de Chapeuzinho Vermelho, quem assiste é convidado a recolher parte-a-parte os pedaços da trama, contada do fim para o começo sob a perspectiva de cada um dos personagens, e depois soltar nos lugares certos para ter a história completa. A cada ciclo desses, tudo realmente fica mais divertido, ainda que “Os Suspeitos” (de Brian Singer) seja referência tão descarada que merecia um agradecimento no final.

Na trama, alguém está roubando todos os livros de receita das docerias na floresta. Sem os livros, elas vão à falência (?!?). A suspeita recai sobre Chapeuzinho Vermelho (na casa da Vovó, sendo ameaçada pelo), o Lobo (que possivelmente prendeu no armário), a Vovó e o Lenhador (que arromba a janela de machado na mão).Eles estão exatamente assim quanto chega a polícia. A partir do depoimento de cada um, a história se monta.

Pena, a meia hora final de ‘ação’ do filme estraga o bom humor que a película tinha até ali. É tão clichê e mal-animado que dissolve a certeza de quem achou que tinha encontrado um filme divertido. Se dava para ser mais? Com certeza. Afinal, não é todo dia que a Chapeuzinho Vermelho aparece pagando de criminosa num cartaz de shopping. Pense só no que os Monty Phyton teriam feito disso.

Senso comum: conto de fada. Concepção da polícia: distúrbio doméstico.
E então a história começa...

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