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Dois pesos, dois públicos

22.10.06

por Tai Nalon

Evanescence – The Open Door

(SonyBMG, 2006)

Top 3: “Call Me When You’re Sober”, “Lacrymosa” e “Cloud Nine”.

Princípio Ativo:
Mais que o mais do mesmo

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Três anos depois de lançar seu primeiro disco, Fallen, o Evanescence passa pelo teste do segundo álbum – e surpreende. Embora The Open Door venha parecido com seu antecessor, existem vários motivos para acreditar que Amy Lee e seu bando estejam em rota ascendente.

Ouvi Fallen já em 2004. Ganhei o CD no Natal do ano anterior. Achei o som agradável, as poesias marcantes – o disco permaneceu por um tempo no meu diskman. Até enjoar. Até ficar intragável. E daí devo tê-lo ouvido novamente, desde então, umas três vezes. Minha expectativa ao receber The Open Door para resenhar, dessa forma, era de que algo semelhante acontecesse. Ledo engano: não viciei – a fórmula, no geral, está muito parecida com a do primeiro álbum – e também acho que não vou enjoar. As músicas soam mais maduras e algumas melodias mais complexas.

“Sweet Sacrifice” entra rasteira, mas é uma das canções mais poderosas do petardo. Com vocais agudos e agressivos, mas sonoridade mastigadinha para as rádios, tudo indica que será (se já não é) single. “Call Me When You’re Sober”, primeira música de trabalho e segunda faixa do CD, passa mais perto do Evanescence de Fallen – é grudenta, repetitiva, enjoadinha e recheada de pontes que devem funcionar ao vivo.

A seqüência wanna be in MTV tem ainda “Weight Of The World” e “Lithium”. Essa última, seguindo a tradição da faixa quatro, é a baladinha simples e atmosférica do álbum. Ela perde feio para as pérolas que virão em seguida. “Cloud Nine”, por exemplo, é preciosa, com vertentes industriais e introdução exótica.

A faixa antológica, entretanto, é “Lacrymosa”. De acordo com Amy Lee, foi inspirada em “Requiem”, de Mozart. Embora não tenha nada de muito parecido com a obra clássica – a não ser os violinos – não deixa de ser bela e se destacar pela diferença dentre as composições. “Lose Control” também aparece como destaque, flertando por vezes com o new metal, e em outras tantas com uma ambientação mais etérea. Nela e em “The Only One”, o ouvinte percebe fácil relações mais íntimas com o trip hop.

The Open Door é um álbum muito mais multifacetado do que Fallen. Existem seqüências tipicamente adolescentes, que darão certo para o público que se satisfaz com o que apresentam na MTV. Mas também vale ressaltar a presença de seqüências complexas e interessantes, sem os requisitos excessivamente pegajosos de uma banda construída para vender. Ainda falta chão para se tornar algo memorável, é verdade, mas nem seus fãs, nem eu, hão de lamentar pelas faixas presentes no disco.

Qual dos três você acha que uiva mais alto?

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