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O tal do xote que tocou na MTV

22.03.05

por Rodrigo Ortega

Falamansa - MTV ao vivo

(Deck Disc, 2005)

Top 3: “Xote dos Milagres”, “Rindo à toa” e “Xote da Alegria”

Princípio Ativo:
Alegria

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O forró é pop descarado nas mãos do Falamansa. O vocalista e galã Tato comanda a banda no lançamento de seu quinto disco, MTV Ao Vivo, com um balanço positivo de hits, que há dez anos colocam a banda na crista da onda do “novo forró” e do pop brasileiro.

Entre as vinte faixas, pelo menos oito são conhecidas por quase todo brasileiro, mesmo aqueles que se recusam a bater o pé ao som de versos como “Hahahahahá / mas eu tô rindo à toa / não que a vida esteja assim tão boa / mas um sorriso ajuda a melhorar / aaaa”. Garotos de classe média paulistana, Valdir (acordeão), Dezinho (percussão), Alemão (zabumba), e Tato, participaram da retomada do ritmo nordestino entre o público das grandes cidades de todo o país, movimento chamado de forró universitário.

O fenômeno encolheu e hoje se vê menos meninas no colégio com sapatilhas de forró e novas casas do gênero se espalhando como faculdades de Direito. Os dois últimos discos do Falamansa não igualaram o sucesso dos anteriores, especialmente o primeiro, Deixa Entrar (2000), que esbanja hits, tipo “Falamansa Song”, “Xote dos Milagres”, “Rindo à Toa” e “Asas”, presentes neste novo álbum. Se não repete o estouro de anos atrás, o MTV ao Vivo mostra, pelo menos, que a banda consegue fazer até os garotos mais desajeitados quererem dançar e cantar algumas canções. “Na rádio todo mundo vai pedir / o tal do xote que tocou na MTV”, canta Tato, cheio de confiança, em “O Tal Xote”.

Certas músicas passam dos limites da goma no chiclete, como as enjoativas “Um dia perfeito” e “Tempo de Paz”. A única inédita do disco, “Amor e cia”, é fraquinha. O refrão “Eu não deixo de cantar para viver / eu não deixo de amar para ver” não indica um futuro promissor para o Falamansa. Eles também tentam se aproximar do “forró de raiz”, chamando Dominguinhos para tocar “Sete Meninas / Forró do Bole Bole”, que termina em um entediante duelo de acordeons, ou tocando o solo da ultra-clichê “Asa Branca” em “Forró de Sangue Novo”

Mas os tais hits ainda fazem a alegria do público, que acompanha todos os “secunderunderundês” de “Xote da Alegria ” e “hahahahahás” de “Rindo à toa”. A maioria das letras aposta no estereótipo do brasileiro que “sofre mas é feliz”. Tato solta a voz em versos como “Toda mágoa que passei / é motivo pra comemorar / pois se não sofresse assim / não tinha razões pra cantar”, ou frases mais enigmáticas: “Escrevi seu nome na areia, o sangue que corre em mim sai da tua veia”. Mas ninguém precisa entender para cantar junto.

Os jovens forrozeiros cantam a alegria

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