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Cantando (e dançando) na neve

24.11.06

por Daniel Oliveira

Happy feet: O pingüim

(Happy Feet, EUA, 2006)

Dir.: George Miller
Vozes: Elijah Wood, Nicole Kidman, Hugh Jackman, Robin Willliams, Hugo Weaving
No Brasil: Daniel de Oliveira, Sidney Magal

Princípio Ativo:
fofura

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Na primeira canção do CD “Awake is the new sleep”, Ben Lee canta: Você está dançando e parecendo meio louca / e seus braços estão fazendo pequenos círculos / há motivos, há motivos que você pode inventar / então faça o que quer que seja.

É o que a personagem de Natalie Portman faz em “Hora de voltar”. É mais ou menos o que Amelie Poulain faz o filme inteiro. E é o que Mumble (recuso a tradução nacional infame), protagonista de “Happy Feet: O pingüim”, nasceu fazendo. Em meio a pingüins-imperadores, que fazem do canto parte essencial de suas vidas, ele decidiu dançar. Ou melhor: sapatear. Da forma mais fofa e engraçada possível.

E é isso: “Happy feet” é um filme fofo. Pingüins são fofos, principalmente os filhotes. O diretor George Miller é o mesmo de “Babe – o porquinho atrapalhado” que, com certeza, está no Top 10 de longas fofos. E a fábula ambientalmente correta de intolerância / aceitação / superação dirigida às crianças, mas que não soa ingênua aos adultos, é fofa. E pertinente.

Não confunda com superficialidade de pelúcia. Os “pingüins latinos” que mostram a Mumble o quanto ele é cool são um achado. “Um dia, uns conhecidos meus escutaram alguém cantar como você. Eles viraram e quando olharam de novo, na verdade, ele tinha morrido”, diz Ramón a Mumble. Pena que na versão dublada não possamos escutar isso ser dito por Robin Williams.

Mas a dublagem não é de todo má, já que a maioria das músicas foi mantida na versão original – “Kiss”, do Prince, cantada por Nicole Kidman e Hugh Jackman (que fazem as vozes dos pais de Mumble), é para ter no iPod ontem. As coreografias são bacanas e a fotografia, explorando as diferentes tonalidades da Antártida – principalmente nas cenas do crepúsculo, da aurora boreal e da nevasca – é de encher os olhos.

Pena que seja impossível não comparar com o top de linha - e não há como ignorar que ainda não é algo genial, como as sacadas visuais dos longas da Pixar. Os animadores de Miller fizeram um trabalho divertidíssimo ao explorar o andar dos pingüins – “mixando-o” com os passos de dança (o que é muito fofo) – mas ainda deixam a desejar. O sapateado de Mumble em algumas cenas é estranho e a sincronia com o áudio não é tão convincente.

Isso, somado à resolução repentina e insatisfatória do roteiro, faz de “Happy feet” uma animação com falhas, mas ainda assim divertida, visualmente bacana e que faz a gurizada pensar. O que já é suficiente. Ou melhor: qualquer longa infantil que leve Neil Cavuto, critico político conservador norte-americano, a acusá-lo de “parte da agenda liberal hollywoodiana” já tem muito de minha simpatia.

Mumble desafina: “Superem isso, animadores da Coca Cola!”

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