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Franz Ferdinand para 2005?

28.03.05

por Rodrigo Ortega

Bloc Party - Silent Alarm

(Warner, 2005)

Top 3: “Like Eating Glass”, “Helicopter”, “Positive Vibration”

Princípio Ativo:
Hype

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Pode procurar no site das Lojas Americanas. Na seção Infantil, entre os discos Kids Party e Tato Kid's World Music Party, está o álbum de estréia da banda londrina Bloc Party. O sujeito que o colocou nesta prateleira virtual não deve ser assinante da NME. A banda já figurava na capa da Bíblia do hype antes mesmo de lançar Silent Alarm, em fevereiro deste ano. O visual de roqueiros moderninhos afasta qualquer impressão de que eles fazem canções infantis.

Cercado de elogios e expectativas, o Bloc Party já surgiu como banda grande. O álbum estreou em terceiro lugar na parada britânica. João Marcelo Bôscoli, presidente da gravadora Trama, já estava de olho neste disco desde o início do ano, com certeza pensando em um Franz Ferdinand para 2005. Mas a Warner passou na frente e lançou Silent Alarm no Brasil.

Capitaneados pelo vocalista e guitarrista Kele Okereke, eles justificam as expectativas com um som vigoroso e canções empolgantes. A primeira faixa, “Like Eating Glass”, é desde já uma das músicas mais bacanas do ano. Ele canta o angustiante refrão (“Like drinking poison / Like drinking glass”) com uma voz marcante, que lembra a de Robert Smith, do Cure. A melhor música do último disco dos Chemical Brothers, “Believe”, é cantada por Okereke. Que tem, aliás, um nome do qual Carlinhos Brown sentiria muita inveja.

O som tem as mesmas referências pós-punk que costumam ser apontadas no Franz Ferdinand. Batidas marcantes e riffs simples, eficientes em diskmans (ou I-Pods, para os mais abastados) e nas pistas. “Hellicopter” remete ao Blur em seus momentos mais agitadinhos e irônicos: “Stop being so american / there's a time and there's a place / Why can't you be more european / bastard child of guilt and shame”, canta Okereke.

Outras boas pedidas para as pistas são “Price of Gas”, também cheia de ironias (“I've been driving, a mid sized car / I never hurt anyone / Is that a fact?”), e o single mais recente, “Banquet”. Eles investem também em músicas mais calminhas, como “This Modern Love”, “Blue Light”. As dinâmicas quebradas e letras levemente otimistas dão um de seus melhores frutos em “Positive Tension”

Junto com bandas como Kaiser Chiefs e Kasabian, o Bloc Party está subindo rápido os degraus do britpop. Já conseguiram até arrumar encrenca com o Oasis. Noel Gallagher os chamou de “bandinha universitária”, e o guitarrista Russell Lissack respondeu: “eu costumava comprar a NME nos anos 90 porque a cada semana o Liam falava algo estúpido e engraçado. Eu não odeio Oasis, mas queria um insulto melhor”. Um dia ele consegue.

Okereke (de vermelho) e o Bloc Party

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