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Gladiador em férias

05.12.06

por Mariana Souto

Um Bom Ano

(A Good Year, Estados Unidos, 2006)

Dir.: Ridley Scott
Elenco: Russel Crowe, Freddie Highmore, Marion Cottilard, Albert Finney, Archie Panjabi

Princípio Ativo:
vinho

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Ridley Scott é um sujeito versátil. Só ele e Kubrick – sem entrar no mérito do talento, afinal seria covardia – fizeram ficção científica, épico, drama. O novo “Um Bom Ano" fica entre comédia e romance, mas não chega a ser propriamente comédia romântica”. Pensei um pouco sobre meus critérios e vi que o principal era o fato de ser protagonizado por um homem e não uma mulher ou um casal. Não pareceu muito válido. Então talvez seja mesmo a pequena quantidade de momentos engraçados.

“Um Bom Ano” centra-se na vida de Max Skinner, cujo conflito central se resume a: ser bilionário na Inglaterra ou milionário na França? Executivo de sucesso na bolsa de valores, não tira fins de semana e tem falhas de caráter. Herda do tio uma vinícola em territórios franceses, conhece a boa vida de lá e a linda Fanny Chenal.

Em termos de família, o roteiro possui muitos primos por aí - Sob o Sol de Toscana é um dos recentes - e não é a primeira vez que personagens se transformam em viagens, sobretudo a países românticos como Itália e França e com vinho no meio. Contudo, o roteiro bem realizado gera um filme muito agradável e divertido.

Scott traz boas piadas sobre nacionalidades e seus estereótipos, como a americana pedindo salada com molho light, mas um pouco de bacon e Fanny dizendo que, em seu país, se há algum problema, a culpa é do freguês. Mas há também alguns exageros como o flashback com Fanny, a mais assanhada e poética garota de 10 anos da face da terra. Se Max era precoce e já lia Morte em Veneza, ela certamente devia estar lendo Henry Miller por aí. Desnecessário.

Por sua experiência na condução de gêneros diferentes, Scott às vezes faz uso impróprio de certas técnicas. O plano inicial é um rápido travelling circular em volta de Max menino e o tio jogando xadrez no jardim há 30 anos, com trilha bucólica ao fundo. A ação filmada é tudo menos dinâmica, e esse movimento de câmera cai mal. Uma decisão mais acertada seria usar movimentos e edição mais ágeis nas seqüências da agitada Londres e reservar longos planos para o tranqüilo ambiente rural.

"Um Bom Ano" é quase um conto de fadas masculino. No mundo real, infelizmente, viver 365 dias de férias por ano – e 366 nos bissextos -, almoçando iguarias ao ar livre, envolto em maravilhosas paisagens, com uma linda francesa à disposição e, atenção!, continuar rico não costuma estar no leque de opções de muitos. Entretanto, quem não cair na besteira de comparar o filme com sua própria vida, sairá leve e feliz do cinema.

Crowe aproveita seu trabalho, ou será seu abono de férias?

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