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Cruzada

03.04.05

por Daniel Oliveira

Cruzada

(Kingdom of heaven, EUA, 2005)

Direção:Ridley Scott
Elenco: Orlando Bloom, Eva Green, Liam Neeson, Jeremy Irons, Edward Norton, Marton Csokas, Brendan Gleeson

Princípio Ativo:
Ridley Scott, um diretor de mão firme

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O bloco do Jornal Nacional sobre a “Guerra Santa” – dos assassinos que agem “em nome de Deus” - já é uma instituição do horário nobre da TV brasileira, quase tanto quanto a novela das oito. Estamos cansados de ver isso.

O maior mérito de “Cruzada”, de Ridley Scott (Gladiador), é o de retomar o histórico da batalha travada na Terra Santa, separando duas coisas bem distintas: religião e fé. Por mais que os personagens do filme (e muitos da vida real) repitam incansavelmente que “Deus quer assim” ou “é a vontade de Deus”, a espiritualidade de quem realmente acredita no Todo Poderoso nada tem a ver com o interesse das instituições religiosas retratadas no longa, que se passa durante a época das cruzadas.

O roteiro conta a história de Balian (Orlando Bloom), um ferreiro que perde a família e descobre ser filho de um nobre “cruzado” europeu (Liam Neeson). Ele parte para Jerusalém, buscando redenção para seu sofrimento e se envolve com os conflitos pelo domínio da cidade, entre cristãos e muçulmanos, e com a bela princesa Sybilla (Eva Green, de “Os sonhadores”). Com um elenco afinado, Scott constrói um épico com ritmo, que segue talentosa e fielmente as características do gênero.

Portanto, espere frases cheias de efeito moral; muitos planos gerais de belas paisagens; bem e mal claramente definidos, com vilões maquiavélicos e o herói sobre-humano – é incrível como um simples ferreiro se transforma no melhor estrategista de guerra do filme. Caso você encare esse desafio de duas horas e meia, vai conferir um longa com a fotografia excepcional de John Mathieson, parceiro usual de Scott, auxiliada pelas belas locações no Marrocos e na Espanha e batalhas bem coordenadas e editadas.

Ao contrário dos decepcionantes “Tróia” e “Alexandre”, “Cruzada” tem um diretor de mão firme, que sabe o que faz. Junto com Mathieson, Scott entrega imagens fortes, recheadas de sangue – uma marca registrada sua (lembra de Hannibal?) – e ao mesmo tempo belíssimas. Como a construção de Sybilla: contando com a ótima atuação de Green: a fotografia parece retratá-la como uma Nossa Senhora, após uma determinada morte, para depois fazer dela uma Madalena arrependida – transformação usada para mostrar que não há nada de santo naquela guerra.

Retratando as cruzadas como uma disputa de poder, que pouco tem a ver com Deus ou Alá, “Cruzada” mostra na jornada de Balian e do líder muçulmano Saladino, que a fé e a importância da espiritualidade estão na alma, e não em uma cidade.

Bloom a Neeson: Eu sou você amanhã

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