Busca

»»

Cadastro



»» enviar

Para rir com o ouvido cheio de farofa

15.12.06

por Suellen Dias

Kelly Key – Por Que Não?

(Warner, 2006)

Top 3: “Analista”, “Chamada a Cobrar” e “Pegue e Puxe”.

Princípio Ativo:
Risadas com prazo de validade

receite essa matéria para um amigo

Desde que estourou com o hit “Baba baby”, em 2001, Kelly Key bateu recordes em revista masculina, pipocou em revistas de fofoca, descasou, casou, cantou “Adoleta”, “Barbie Girl” e “Cachorrinho”, e já vendeu quase um milhão e meio de álbuns. Além de tudo isso, a moça também já falou por aí que sua voz é tão irritante que nem ela mesma suporta, mostrando que tem o ouvido mais sensível que os quase 8% da população brasileira que compraram seus discos.

Mesmo não gostando tanto de sua voz, a cantora já está em seu sexto trabalho (contando Remix Hits, de 2002). Por Que Não segue direitinho a receita de farofa fornecida pelo hip-hop, dance music e outros ritmos pops. Quando questionada sobre o conteúdo malicioso de suas letras, Kelly Key explica: “Este é um CD adolescente, com uma pitada adulta. Quem tem que entender, vai entender”. Fato é que entre as doze faixas do disco, ficou difícil encontrar pelo menos uma em que a tal pitada adulta não estivesse apimentada demais para um CD dito “adolescente”.

Apesar de o público teen estar cada vez mais espertinho, algumas faixas assustam. É o caso de “Me pega de jeito”. “Não gosto de garoto, eu gosto é de homem” e “Presta atenção, ouça o que eu digo, mulher insatisfeita é um perigo”, canta a mesma Kelly Key que chama os fãs de miguxos em seu blog cintilante, cheio de Hello Kitty’s e coraçõezinhos.

“Pegue e Puxe” e “Analista” são duas faixas bem mais adolescentes que “Me pega de jeito”. Com leves batidas de funk, vozes de robôs e letras banais, podem render boas risadas. Versos como “Seu problema é de ana... analista, vai procurar um neuro... um neurônio” aparecem de forma tão divertida que a voz enjoadinha de Kelly Key nem incomoda tanto. Em “Chamada a cobrar”, um quê de criatividade dá os ares da graça. O conhecido “turu-tururu-tururu” embala as rimas, que reclamam de um namorado pão-duro que não pagava nem as ligações para a namorada.

No fim das contas, as doze faixas resultam num álbum para ser escutado de pouquinho em pouquinho, e não mais que uma vez. Isso porque, em conjunto, as músicas são enjoativas e parecidas. Aquelas que, com boa vontade e bom humor, conseguem divertir acabam perdendo a graça depois do primeiro acesso de risos. E se não for para rir, o melhor é nem arriscar o play. Por Que Não, tanto pelas letras, quanto pela qualidade musical, não é um CD para ser levado a sério.

Quem sabe faz ao vivo, e quem não sabe também

» leia/escreva comentários (16)