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Diga-me com quem andas...

12.12.06

por Daniel Oliveira

O ilusionista

(The illusionist, EUA/República Checa, 2006)

Dir.: Neil Burger
Elenco: Edward Norton, Paul Giamatti, Rufus Sewell, Jessica Biel, Eddie Marsan

Princípio Ativo:
Giamatti, truques e uma dose de azar

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A lista de amigos de uma pessoa diz muito a respeito dela. Em um certo momento da vida, escolher ao lado de quem se quer andar é determinante na definição de quem ela é.

Por exemplo, se você quisesse ser amigo de Neil Burger, roteirista e diretor d’O ilusionista”, conheceria um cara que teve uma idéia bem legal: fazer um filme sobre poder. Na verdade, a disputa por ele entre dois homens na Viena do século XIX – o mágico Eisenheim (Norton) e o príncipe-herdeiro Leopold (Sewell). Mas, tcharan: na verdade, é um longa que atestaria e comentaria o poder do cinema e da manipulação pela ficção, com um visual de filme dos anos 10/20, o que tem a ver com a própria história. Mas o roteiro não é lá essas coisas e a direção se apóia na boa escolha do elenco.

O problema: azar. Ser amigo dele é ter o risco de ser acompanhado por uma tremenda má sorte, já que outro cara teve essa mesma idéia - e a realizou de forma bem mais complexa e com uma galera bem mais hype.

Você poderia, talvez, ser amigo de Edward Norton e seu Eisenheim. Ele tem um plano para conseguir sua amada Sophie (Biel) e tirá-la das garras do príncipe. Ele é um mágico, então suas tramóias incluem ilusões, perigos e manipulação pela retórica.

O problema: sinceridade. Essa armação toda nem é tão genial assim – na verdade, é bem previsível – e só passa porque ele é o protagonista. Admita: a amizade, no fundo, no fundo, seria bem mais porque ele criou o clube da luta e vai ser eternamente cool por causa disso.

Tem também o Paul Giamatti e seu Inspetor-chefe Uhl, fascinado por Eisenheim e seus truques. O ator é outro que é sempre legal, com personagens simpáticos que roubam a cena. Por sinal, ele definitivamente rouba a cena aqui – em um filme que seria de Norton, o público simpatiza bem mais com a performance de Giamatti, que parece ter feito Uhl bem mais importante do que era no roteiro.

O problema: ritmo. O roteiro previsível faz Uhl soar ordinário e lento, levando o filme inteiro para descobrir o que a audiência sabia antes da metade.

Se você quiser ser amigo de Jessica Biel, pare de pensar só no rostinho (e no resto). Sua Sophie prova que se pedirem para ela interpretar, a moça dá conta. E ser bonita, nesse caso, não atrapalha.

O problema: desproporcionalidade. A beleza da moça é inversamente proporcional ao seu espaço no longa. É o famoso “papel da namorada”, disputada por dois homens – que são quem realmente interessa.

Ou você pode ser meu amigo. O que você precisa saber a meu respeito? Eu sou o cara que assiste a um filme que nem é tão ruim assim, mas acaba achando algo para reclamar.

Truque arriscado: “Você, essa bolinha e eu podemos derrotar o Batman e o Wolverine”

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