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Corra que a História Natural vem aí

15.01.07

por Daniel Oliveira

Uma noite no museu

(A night at the museum, EUA, 2006)

Dir.: Shawn Levy
Elenco: Ben Stiller, Owen Wilson, Robin Williams, Ricky Gervais, Steve Coogan, Carla Gugino, Kim Raver, Jake Cherry

Princípio Ativo:
coadjuvantes & CGI

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Caro Guerrinha,

Lembra, na última reunião, quando eu falei que “Um beijo a mais”, versão americana do filme italiano, tinha mudado para se tornar um veículo para o Zach Braff? Pois é, nem era uma crítica. É Hollywood e eles fazem esse tipo de filme por lá. Mas acho que, às vezes, o tiro sai pela culatra.

Veja o caso deste “Uma noite no museu”. O longa devia ser quase um vôo solo do Ben Stiller, que contracena, na maior parte do tempo, com animais ou CGI. Mas não é que ele está tão fraco que as únicas partes engraçadas do filme são as dos coadjuvantes? Sério: quantas vezes ele acha que discutir infantil e irracionalmente com um macaco pode ser engraçado em um mesmo longa?

Repetir piada é um recurso que Owen Wilson e Steve Coogan (de “A festa nunca termina”, lembra dele?) não precisam. Os dois se divertem horrores como um caubói e um imperador romano, respectivamente. Ambos em versão miniatura, eles fazem rir por não levar a sério em nenhum momento os diálogos nonsense, a trama sem pé nem cabeça e a rixa entre os dois personagens. Dá vontade de sair para tomar uma com os dois.

Outro que diverte com poucas cenas é o Ricky Gervais – aliás, você já viu a versão inglesa do “The office”? Dizem que é muito boa. Enfim, o sotaque e o típico mau humor britânico de seu personagem - o diretor do museu - me arrancavam risadas, enquanto a maior parte do público no cinema olhava para mim como se eu fosse retardado. Talvez eu seja – afinal, estava assistindo a esse filme.

Mas nem isso consegue salvar o filme da mediocridade. O trio de vilões velhinhos é de uma banalidade que dá dó – putz, eles são velhinhos! E a explicação do roteiro (da dupla responsável pelo remake de “Se meu fusca falasse” com a Lindsay Lohan) para a “agilidade” deles é uma das coisas mais ridículas e embaraçosas que eu vi no cinema em muito tempo.

Isso não supera, no entanto, a maior contribuição de “Uma noite no museu” ao Clube das Coisas Mais Odiáveis na História do Cinema: o ator mirim Jake Cherry. Ele faz o filho de Stiller e eu juro que queria que os neandertais descobrissem logo o fogo e, se possível, queimassem o menino com ele. Além do personagem ser muito bobo, o ator é irritantemente ruim, fazendo cara de peninha (com um biquinho a la Fernanda Lima) e passando lição de moral no pai o tempo todo.

Eu sei que o público, assim como você, é “independente, tem opinião própria e não vai escutar um jornalista fdp como esse”. Eu sei. Machuca meu coração, mas eu sei. E resenha nem é pra impedir a pessoa de ver um filme, é para fazê-la pensar sobre ele. Pensar algo como: “por que é que eu gastei dinheiro com isso?”

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