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Superindie pracaralho

06.02.07

por Rodrigo Ortega

Clap Your Hands Say Yeah - Some Loud Thunder

(independente, 2007)

“Emily Jean Stock”, “Goodbye to Mother and the Cove”, "Satan Said Dance"

Princípio Ativo:
independente, 2007

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Se alguém inventasse um aparelho para medir o quão indie é uma banda, um indieômetro, o quinteto de Nova York Clap Your Hands Say Yeah chegaria fácil aos 100º.

O primeiro motivo para a afirmação acima é simples: assim como o álbum de estréia da banda, este segundo, Some Loud Thunder, foi gravado de maneira totalmente independente, sem gravadora nem para distribuir o disco nos EUA. A divulgação fica por conta dos shows (uma das promessas não cumpridas do Tim Festival 2006) e da internet. Checar nos créditos do CD se ele foi lançado pela própria banda (ou um pequeno selo) é uma fórmula simples para calcular o indieômetro.

Mas esta fórmula sozinha é falha (se fosse assim, Cachorro Grande e Sorriso Maroto, colegas na Deckdisc, que se auto-proclama “100% independente”, seriam igualmente indies). A solução aparece no segundo cálculo do indieômetro, mais complexo, que envolve dinâmicas incomuns, letras surreais e vocais alienígenas. O conjunto “indie rock” não é limitado só pela variável mercadológica, mas também pela musical.

Hoje existem indies para todos os gostos, mas Some Loud Thunder busca o sentido mais clássico do termo. Suas músicas são resultado de um prazer sádico dos músicos em esculpir melodias quase perfeitas, só para depois retorcer e sujar as coitadas. Portanto, o indieômetro também tem sua variável histórica, que neste caso passa por Velvet Underground, Talking Heads e Pavement.

A maior novidade deste disco é a produção de Dave Fridmann (Mercury Rev, Flaming Lips). As músicas ficaram menos bombásticas e mais viajantes. As vinhetas marcam bem a diferença entre os dois discos do CYHSY: enquanto o primeiro é aberto com a debochada “Clap Your Hands!”, este tem a vinheta tristonha “Upon Encountering the Crippled Elephant”. A capa do disco e faixas como "Love Song No. 7" são versões deformadas de Revolver, clássico dos Beatles.

Entre as pérolas escondidas sob o mar de guitarras e instrumentos estranhos estão as belas “Underwater”, “Emily Jean Stock” e “Goodbye to Mother and the Cove”. A única faixa tão dançável quanto os hits (indies) do primeiro disco é a sacolejante “Satan Said Dance”, cujo solo parece ter sido executado por um filhote de chimpanzé em um teclado de brinquedo achado no lixo.

Às vezes eles exageram na auto-sabotagem. A distorção de “Some Loud Thunder” rompe o limite entre o estranho e o chato. Em “Five Easy Pieces”, parece que o vocalista Alec Ounsworth resolveu brincar de “vamos tocar duas músicas diferentes ao mesmo tempo para ver quem erra primeiro” com o resto da banda. Os deslizes não superam os méritos de Some Loud Thunder, mas explicam porque apesar de o indieômetro estar no máximo, o termômetro fica um pouco abaixo.

Bata palmas e diga “oê, oê, oê, eu sou mais indie que você”

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