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Front caseiro (porém limpinho)

09.02.07

por Rodrigo Campanella

A Rainha

(The Queen, Reino Unido/França/Itália, 2006)

Dir.: Stephen Frears
Elenco: Helen Mirren, Michael Sheen, Alex Jennings, James Cromwell, Roger Alam, Helen McCrory

Princípio Ativo:
inglês por natureza

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The

Saber se Helen Mirren dá ou não uma interpretação fidedigna da rainha Elizabeth II, marco político estranho que só ingleses entendem, é uma questão de segunda ordem. Isso porque a rainha que intitula o filme é uma personagem tão expressiva por si que dispensa sua contrapartida real. Mirren deve ter suado à beça para não entregar uma gota de suor ou qualquer movimento facial maior que dois milímetros ao interpretar a titular do trono inglês. O trabalho rende uma personagem de magnetismo próprio.

Amparando o trabalho principal vem uma série de boas interpretações encabeçadas por Michael Sheen, como uma caricatura de Tony Blair indistinguível do primeiro-ministro de carne e osso. O toque um tanto bocó mas bastante amistoso com Blair se mantém durante todo o filme, sob a mão do diretor Stehpen Frears.

A trama se desenrola logo após a morte de Diana, princesa odiada pela realeza em peso. A família real resolve se manter calada e toca seus Land Rovers para uma casa de campo afastada. Sob o efeito-Diana, patrocinado em largos sorrisos pela mídia, o público inglês se posiciona contra a rainha. Quase um caso de ódio, que a obriga a se curvar diante de um novo mundo (e uma mídia) que para ela não fazem sentido.

English

O efeito completo do filme, com todo background histórico, possivelmente só vai ser sentido integralmente no Reino Unido e em gente ligada no mito-Diana. Para quem não fez parte da festa, o que resta é uma crônica interessante e polida sobre a nossa sociedade do espetáculo. A frase chave é “a Diana que eles conhecem é completamente diferente da Diana com que nós convivemos”, dita pelo príncipe Charles e que resume bem a situação.


Way

Mirren faz uma grande personagem nos limites impostos pelo filme, tão correto e educado que parece render o oposto perfeito das grandes interpretações de um “Uma Mulher sob Influência”, de John Cassavetes. Há muito, fartas doses de ‘humor inglês’ entranhadas ali no meio, mas que às vezes soam como máscara para um filme bastante chapa branca (com Blair especialmente) que guarda apenas estocadas esporádicas.

Saber que o roteirista Peter Morgan se embrenhou em informantes de dentro da casa real para reconstituir as reações de Elizabeth II dá um toque de revista Caras ao todo, mas que Frears maneja bem. Quando não é um cafuné na cabeça da monarca ou de Blair, “A Rainha” é um filme feliz sobre um mundo composto, basicamente, por imagens calculadas. Faz par com “A Conquista da Honra” e nisso até o supera, mesmo que não guarde a mesma pulsação.

A avalanche que quase soterrou a monarquia

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