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Sim, ela teve a audácia

22.09.05

por Rodrigo Ortega

Kelly Key - Kelly Key

(Warner, 2005)

Top 3: “Barbie Girl”, “Eu não tô brincando”, “Sou neném”.

Princípio Ativo:
Farofa requentada

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“Sou a Barbie Girl / se você quer ser meu / namorado / fica ligado”.

Kelly Key deu o troco de novo. Não contente em sair da sombra de seu ex-marido, Latino, e emplacar hits como “Baba baby” e “Cachorrinho”, a loira conseguiu tirar do intérprete de “Festa no apê” o título de versão mais cara-de-pau dos últimos tempos. A música é o carro-chefe do seu quarto CD, Kelly Key. A moça, com apenas 22 anos, retorna da licença-maternidade do segundo filho, Vitor.

A esperteza tem tudo para ser proporcional ao sucesso. “Barbie Girl”, para quem não se lembra, é o hit dos one-hit-wonder dinamarqueses do Aqua, que passaram quase todo o ano de 1997 no Top 20 da MTV. Kelly requentou a farofa antiga, colocou num isopor diferente e está pronta para sair por aí jogando no ventilador. O diálogo final da música é sensacional:

- Você pode me esperar um pouco, Ken?

- Claro, por você eu faço tudo.

- Ah, melhor assim!

Alguém teve a infeliz idéia de escolher a balada sem graça “Escuta aqui rapaz” como primeira música de trabalho. O erro já foi consertado e o videoclipe com Kelly fazendo caras e bocas de Barbie está pronto. E quem quer apostar que no próximo vídeo ela vai aparecer vestida de skater-girl à Avril, para cantar “Eu não tô brincando”, versão do sucesso “Trouble”, de 1996, do duo riot-grrrl-de-butique Shampoo? Vai ser engraçado, no mínimo.

A voz de Kelly Key continua bem parecida com a da Xuxa e os arranjos ainda são facilmente reproduzidos em qualquer teclado de segunda mão. Os remixes de “Bad Boy”, “É chamego ou xaveco?” e “Escuta aqui rapaz” não devem conseguir levantar a massa. “Tô te dando mole” é um “pseudo-drum’n bass” que tenta, sem sucesso, seguir os passos de “Tô nem aí”, da cantora Luka. Na pseudo-bossa “Já não somos mais livres”, ela tenta parecer séria. Bobagem.

“Sou neném, não posso te beijar / sou neném, o papai vai brigar / sou criança e você quer pegar”.

Dúvida cruel: a letra de “Sou neném” é uma responsável advertência para as pequenas fãs de Kelly Key se livrarem de assédios ou é o manifesto à pedofilia mais sem-noção da história da música brasileira? Tratando-se da intérprete de “Baba baby”, que, com 13 anos começou a namorar o Latino e com 17 fez tratamento para engravidar, a segunda hipótese é mais provável. Ou então ela pôs a mão na consciência e se arrependeu de ter ficado com o cara, o que também é bem possível. O que não dá pra negar é que a canção é divertida.

Kelly Key nos bastidores da gravação do vídeo de Barbie Girl

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