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Staring at the sun

13.04.07

por Daniel Oliveira

Sunshine - Alerta solar

(Sunshine, Reino Unido, 2007)

Dir.: Danny Boyle
Elenco: Cillian Murphy, Rose Byrne, Chris Evans, Michelle Yeoh, Cliff Curtis, Troy Garity, Hiroyuki Sanada, Mark Strong, Benedict Wong

Princípio Ativo:
sacrifício

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“Você está olhando para o sol
no mar
sua boca está aberta
você está tentando respirar
a água à altura do seu pescoço
seus dentes brilham...” – TV on the radio


Segundo “Sunshine – Alerta solar”, duas coisas permitem a vida na Terra. Uma delas é o sol, que está morrendo. Um grupo, corretissimamente multinacional, parte para o espaço com uma bomba e a missão de “criar uma nova estrela a partir da explosão de outra”.

O segundo fator é nossa humanidade - a racionalidade, as emoções, a capacidade de cooperar e se relacionar com o universo para gerar e manter vida. O diretor Danny Boyle cria uma belíssima analogia visual para esses dois elementos vitais, ao fundir a imagem da parte da esfera solar que os personagens vêem à superfície de seus olhos – uma outra meia-esfera.

“Aqueles que não podem fazer
frequentemente têm que pregar
para aqueles olhando para o sol
com medo do que encontrarão se olharem para dentro
não apenas surdos e burros...olhando para o sol
eu não sou o único que preferiria estar cego.” – U2


É ao olhar para a luz solar que os personagens acabam olhando para si mesmos – o sol revela suas virtudes e falhas - e questionando o que acontece na nave. Uma série de eventos – merda acontece – leva à morte do capitão da tripulação, tornando inflamável um grupo que já era instável. Essa :”chama perigosa” só aumenta quando a estufa que produzia oxigênio é incendiada – o verde (esperança) se esvaindo do filme.

Com isso, a própria necessidade de cumprir a missão se torna o serial killer de “Sunshine”. A obrigação de realizar a explosão – o contrário implicaria no fim do planeta – faz com que os personagens passem a encarar um ao outro, não como ser humano, mas como “um respirador a mais”. E é aí que um elemento vital parece aniquilar o outro. Boyle constrói essa escalada com competência e abusa da ambientação de clássicos como “Alien” e “2001”. A câmera sempre em movimento no início para que o espectador sinta a gravitação do longa; a trilha sonora evoca o vazio espacial; a solidão de cada um deles guia lentamente à paranóia e ao desespero.

“Viver é mais que sobreviver
então me perdoe
mas eu não me frustrarei
com a destruição nos seus olhos
enquanto você olha para o sol” – Offspring


A exatidão no uso das cores coroaria “Sunshine” como um filme ótimo, não fosse pelo ato final. Boyle tropeça na fina linha entre funcionalidade e videoclipe e faz o espectador sentir como se assistisse a um DVD arranhado. Com a ótima atuação de Cillian Murphy, os cortes estilo remix irritam e deixam uma pequena mácula em filme que, até ali, havia brilhado.

“Tem um sol pra vender aí?”

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