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(No control) freaks

20.04.07

por Mariana Souto

A estranha perfeita

(Perfect Stranger, EUA, 2007)

Dir.: James Foley
Elenco: Halle Berry, Bruce Willis, Giovanni Ribisi, Gary Dourdan

Princípio Ativo:
estranhamento

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Não é só a perfeita que é estranha nesse filme. O título, que não faz muito sentido, e várias cenas passam a sensação de estranhamento. E não digo isso no bom sentido.

Rowena (Halle Berry) é uma jornalista obstinada com grandes furos que revelam os podres de personalidades americanas. Seu parceiro de trabalho Miles (Giovanni Ribisi) é perito em irromper sistemas e conseguir qualquer tipo de informação. Após terem sua fonte silenciada no caso de um político pederasta, eles se juntam para conseguir provas de que Harrison Hill (Bruce Willis), importante publicitário, assassinou Grace, sua amante e amiga de infância de Rowena.

Quase todos os personagens do filme são estranhos e incapazes de despertar identificação ou empatia no espectador. As relações entre eles são mais esquisitas ainda e, em alguns momentos, cenas desconjuntadas deduram a falta de manejo e experiência do diretor James Foley (Confidence – o golpe perfeito). Alguns problemas de roteiro chamam atenção, como a inexplicável aparição de Grace na cena do metrô – seqüência, aliás, bastante mal montada. Rowena vai para casa e somos apresentados a um flashback de uma cena que foi mostrada 30 segundos antes. Quanto mais penso no filme, mais detalhes sem sentido encontro.

Será que alguém no mundo, além de Bruce Willis, tem uma segurança-modelo-lésbica para afastar seus possíveis casos? Será que é mais comum do que se imagina uma mulher sair com o ex-namorado da amiga para dar a notícia de que esta foi brutalmente assassinada e eles acabarem fazendo sexo selvagem? Halle Berry e seu corpo (este sim, perfeito) são bastante explorados pelo filme e a cena descrita acima tem um tom despudorado e totalmente gratuito. Já Bruce Willis tem uma ingenuidade inverossímil diante de mulheres provocantes, para um sujeito que: precisa manter sua reputação, tem uma esposa ciumentíssima e já passou por processos de assédio sexual antes.

“A Estranha Perfeita” parece uma competição de quem é mais doente. Traz a noção simplista, de vários filmes de suspense, de que aqueles que passaram por abuso sexual na infância são necessariamente desequilibrados e psicopatas, ainda com direito aos exageros de painéis e altares macabros com fotos da pessoa por quem se é obcecado. Bom, para não dizer que só falei mal: a trilha tem algumas músicas boas e o filme prende o espectador. Assisti depois do almoço e não deu sono. Só fiquei bastante contrariada depois do plano final que compete entre os maiores clichês de todos os tempos, remetendo a uma idéia de ciclo interminável.

Willis, com educação: “Devolve o Oscar, por favor...”

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