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Terra de sonhos. Terra de ninguém

26.04.07

por Igor Costoli

Hollywoodland - Bastidores da Fama

(EUA, 2006)

Dir.: Allen Coulter
Elenco: Adrien Brody, Ben Affleck, Diane Lane, Bob Hoskins, Lois Smith, Robin Tunney

Princípio Ativo:
E grande elenco!

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Los Angeles deve ser um lugar fantástico. Sair às ruas e esbarrar com figuras famosas, onde muitos têm emprego em algum lugar da cadeia produtiva do cinema, e outros muitos tantos estão lá em busca de um sonho. Mas “nem todo mundo é o novo Nirvana”, e pra cada sonho realizado existem os que ficaram pelo caminho. Este filme fala de morrer na praia.

O elemento-chave da história realmente aconteceu: em 16 de junho de 1959, o ator George Reeves cometeu suicídio. A Polícia se deu por satisfeita com a combinação álcool e depressão para responder à morte do homem que ficou famoso como protagonista da série televisiva “As Aventuras do Super-Homem”. A mãe de Reeves não aceita a versão oficial, e coloca um detetive para investigar o caso.

Entra em cena Louis Simo (Brody), detetive particular. Contratado por Helen Bessolo (Smith), ele começa uma busca por informações e tenta a todo custo pautar a mídia a respeito de uma possível fraude nas conclusões do inquérito.

As primeiras investigações apontam para Leonore Lemmon (Tunney), a noiva. Entretanto, Simo descobre um caso de Reeves (surpreendentemente ótimo Affleck) com Tonni Mannix (Lane) e ganha dois novos suspeitos: ela e o marido, produtor da MGM.

Allen Coulter (Família Soprano, Sex and the City) desenvolve o caso através de duas narrativas paralelas. Ao mesmo tempo, seu grande trunfo está na decadência vista em ambas histórias.

Simo é mais esperto que profissional, e o tempo todo anda na corda bamba da picaretagem malandra e da competência, enquanto ele próprio e sua vida pessoal vão se tornando um farrapo muito bem fotografado. Reeves consegue um papel em “A um passo da Eternidade”, e é possível ver nessa seqüência os pregos sendo batidos no caixão da sua carreira. O “Homem de Aço” jamais conseguiu se livrar desta imagem, a imagem que o próprio ator tinha de um homem ridículo de malha, num seriado kitsch que “ninguém com o mínimo bom senso assistira”.

Apesar de alguns defeitos, Hollywoodland é um noir que está um degrau acima de Dália Negra, e dois acima de Pergunte ao Pó. Cada personagem deste filme tem a sua ambição, o seu desejo. E todos fizeram de tudo para chegar ao seu particular Eldorado. O detetive precisava deste caso pra pagar suas contas e recuperar seu orgulho. A noiva sonhava com ascensão social e riqueza. A amante queria seu amado por perto, sem alçar grandes vôos. O marido traído só queria uma resposta. Reeves queria ser um astro a todo custo.

Ninguém, absolutamente ninguém é inocente ali.

O foco no cara certo

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